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Paixão Nacional: “mão de pau”

Vida de goleiro não é fácil. Que o diga Cássio do Corinthians. O arqueiro foi um dos destaques da vitoriosa temporada do Alvinegro em 2017 e era nome certo para a vaga de terceiro goleiro da Seleção Brasileira que irá disputar a Copa do Mundo da Rússia. Mas o início de temporada vacilante em 2018 não está ajudando.

Tudo bem que o Corinthians mexeu na sua defesa; que Pablo e Arana saíram; que Juninho Capixaba não rendeu e que Sidcley e Henrique chegaram agora, mas existem erros que são imperdoáveis para um goleiro. Ontem, contra o Bragantino, o gigante Cássio cometeu dois.

Uma das primeiras coisas que um goleiro aprende – depois que descobre que não é bom o bastante para jogar na linha – é que não se deve rebater a bola para o meio da área. Rebate-se para o lado, para cima, para a diagonal, mas nunca para o meio da área – ou “para a frente”. Mesmo dando o desconto da distância e da força dos chutes que terminaram nos pés de Vitinho e Ítalo – 2º e 3º gols do Bragantino – Cássio não podia ter rebatido como rebateu. Metade do trabalho de fazer o gol foi obra da rebatida. A outra metade, é claro, foi obra a desatenção da zaga do Timão que permitiu ao Bragantino aproveitar o rebote com toda liberdade do mundo.

A bola mudou; ficou mais rápida para, óbvio, dificultar a vida do goleiro. Mas o que me incomoda é que há anos vemos uma legião de goleiros “mão de pau” desfilarem pelo nosso futebol. O soco e a rebatida tomaram o lugar da defesa total – aquela em que o goleiro segura mesmo a bola e encerra o lance. Poucos goleiros hoje em dia vão para a bola com a intenção de segurá-la. O objetivo, na maior parte do tempo, é rebater – daí a expressão “mão de pau”, porque é como se as mãos do goleiro fossem de madeira, próprias para rebater e não para reter a bola do jogo.

Talvez fosse o caso de preparadores investirem mais tempo em treinar seus goleiros para se adaptarem à velocidade das novas bolas e voltarem a fazer defesas totais e não rebatidas que podem resultar em gols – ontem, resultaram em dois e complicaram a vida do Corinthians.

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