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O que a derrota para Floyd Mayweather nos ensina sobre a carreira de Conor McGregor

Foto: Christian Petersen/Getty Images

Há quem diga que Conor McGregor se aventurou no boxe por dinheiro. É uma análise preguiçosa. Obviamente o dinheiro foi uma grande motivação. Mas quando se fala em Conor McGregor você tem de admitir que seu nome está ligado a feitos únicos na história dos esportes de combate, e encarar Floyd Mayweather Jr, um dos maiores pugilista de todos o tempos em cima do ringue, foi apenas mais uma demonstração de sua grandeza quando se trata de coragem, ousadia e confiança em fazer historia no esporte. Sua derrota para Mayweather por nocaute técnico no décimo round em Las Vegas (EUA), representa muito mais do que uma aventura frustrada. Pelo contrario. Até na derrota ele sai ganhando.

Quando tinha duas lutas no UFC, ele desafiou o campeão. Quando perdeu o rival de última hora por lesão, aceitou enfrentar quem colocaram à sua frente. Nocauteou uma lenda do esporte em 13 segundos. Encarou um adversário duas categorias acima de sua divisão. Perdeu. Pediu a revanche nas mesmas condições imediatamente. Venceu. Desafiou o campeão da divisão de cima. Venceu de forma brilhante, chocou o mundo e fez história. No topo, sem desafios, atirou para outra modalidade e desafiou um ícone, o melhor da nobre arte. Perdeu, mas ganhou respeito. De forma resumida, essa é a trajetória dos últimos anos da carreira de um lutador movido a desafios. Ou você ainda acha que tudo se resume a dinheiro?

 

Conor McGregor luta contra Floyd Mayweather no ringue de boxe. Foto: Christian Petersen/Getty Images

 

Segundos os números – não sou eu que estou falando – McGregor se saiu melhor do que cinco do últimos seis rivais de Mayweather, incluindo a lenda Manny Pacquiao. O número de golpes conectados e aproveitamento foi de 26%, o mesmo alcançado por Marcos Maidana, rival mais duro de Floyd nas últimas apresentações de sua carreira. Pacquiao, por exemplo, teve 19% de aproveitamento no duelo com Floyd. Lembrando: são números, estatísticas, e não opinião.

A derrota para Floyd Mayweather tem um sabor especial para Conor e para o esporte em geral. O boxe ficou feliz, o MMA orgulhoso e o duelo foi entretenimento para todo o resto. McGregor obviamente preferia vencer, mas vencer alguns rounds e suportar a pressão por dez assaltos em sua luta de estreia logo contra um ícone como Floyd Mayweather é um feito para lá de louvável. Até mesmo Mayweather não imaginava que o irlandês fosse tão longe.

 

Floyd Mayweather Jr. e Conor McGregor posam juntos em evento após a luta. Foto: AP Foto/Isaac Brekken

 

A coragem de McGregor em lutar boxe com um rival dotado de uma excelência imbatível é um sopro de coragem na consciência de todo lutador que se acomoda em vencer rivais que não os desafiam. Conor procura desafios e os encara despeito aberto, com a coragem e a confiança de quem não enxerga o tamanho do monstro que enfrenta. Ele sabe que a parte psicológica pesa. Quem vê em Floyd apenas um lutador vencível não teme o monstro que ele é. Entende onde quero chegar?

Agora, o futuro de McGregor, que gosta de opções à mesa, segue como ele gosta. Sem precedentes. Com o resultado diante de Floyd Mayweather, ele levanta o MMA a outro nível em sua possível volta. De quebra, levanta a moral do boxe em sua possível saída relâmpago da modalidade. Para onde ele vai, nem ele sabe ainda. Mas seja para onde for, tenha a certeza de que Conor vai carregar a imagem de um lutador que não teme desafio algum, e está disposto a enfrentar todos eles, quase que ao mesmo tempo. Se isso não requer o merecido respeito…

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