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Amanda sai atrás, mas tem chance de ouro contra Ronda Rousey

Foto: AP Photo/John Locher

A aguardada luta Amanda Nunes vs. Ronda Rousey
fecha com chave de ouro o último evento do UFC em 2016

Quando Amanda Nunes assinou o contrato para encarar Ronda Rousey na disputa de cinturão peso galo feminino que acontece nesta sexta-feira, em Las Vegas (EUA), pelo UFC 207, ela não simplesmente topou defender o cinturão da categoria contra a maior estrela da história do MMA feminino. Ela certamente pensou que fazer parte de um momento histórico, que renderá frutos, era uma grande ideia. O retorno de Rousey ao octógono após mais de um ano parada vai chamar as atenções do mundo dos esportes e indiretamente a brasileira consegue assim uma oportunidade enorme de maximizar sua popularidade, fechar contratos mais caros e se destacar em uma data marcante para a modalidade.

Depois de chegar como coadjuvante no UFC 200, em julho, ao liderar o evento com Miesha Tate e terminar a noite como principal estrela, Nunes pode repetir a dose nesta sexta-feira. Só se fala no retorno de Ronda. Como Rousey voltará? Estará melhor? Estará pior? E a cabeça dela? Pouco se fala sobre as expectativas que rondam Amanda. Isso é normal. Ronda é uma estrela muito mais popular e ficou muito tempo sem lutar. E é exatamente com uma chance dessas que a brasileira pode alcançar um notoriedade respeitável.

Uma vitória contra Ronda consolidaria sua posição de estrela do UFC. Ela terá batido Miesha Tate e Rousey, dois nomes mais populares do MMA feminino no octógono. Isso sem contar que a brasileira, apesar de azarão nas casas de apostas, tem grandes chances de alcançar o feito.

Um detalhe é que antes mesmo de chegar o dia da luta a brasileira já saiu atrás. E por culpa da rival. A organização anunciou que Amanda Nunes e Ronda Rousey estão fora das atividades oficiais da semana do UFC 207. O que isso significa? Nenhuma das duas terão a oportunidade de responder perguntas da imprensa (que não deve ser pouca) credenciada para o show. Elas não participarão do Media Day, não estarão nos treinos abertos e não haverá coletiva de imprensa. É algo inédito na história do Ultimate. No caso de Ronda, a decisão é um favor; no caso de Amanda, é um prejuízo.

Quem trabalha com MMA sabe que lutadores não são exatamente fãs do trabalho que é promover uma luta, falar com a imprensa e cumprir tais compromissos com a mídia. Mas para alguns atletas é importante para multiplicar sua exposição e aumentar sua popularidade, entre outras coisas. Alguns rumores apontam que Rousey pediu para não ter de falar com a imprensa antes de seu retorno ao octógono. Isso anuncia uma fraqueza psicológica da americana, que estaria irritada com muitos membros da imprensa após críticas feitas em depois de sua derrota para Holly Holm. Mas a questão é que se ela está disposta a voltar ao mundo das lutas, deveria encarar de frente tudo aquilo que é exercido dentro desse cotidiano. Se esconder da imprensa não me parece ajudar muito. Pelo contrário.

Estar fora das atividades oficiais não significa que Ronda e Amanda foram completamente blindadas pelo UFC. Elas ainda devem cumprir poucos compromissos com a imprensa, mas apenas aqueles escolhidos a dedo, mais estratégicos. Com isso, quem perde é Amanda Nunes. A brasileira tem dessa forma uma barreira rumo a sua popularização. Quanto menos entrevistas a brasileira der, menos pessoas vão conhecê-la. Não se trata de uma perda grande, mas ainda assim fará falta. Especialmente falando de Amanda, que apesar de carismática é uma figura difícil na mídia e não tem sua imagem trabalhada tão bem quanto deveria.

Ronda abre mão e evita imprensa porque já é uma atleta mundialmente conhecida e não precisa mais desse tipo de trabalho para promover suas lutas e chamar atenção de patrocinadores. Por outro lado, Amanda Nunes precisa fazer esse tipo de trabalho exaustivamente, assim como Rousey fez no passado. Quanto mais compromissos com a imprensa forem cumpridos, mais popular um lutador fica, mais credibilidade seu trabalho ganha e mais patrocinadores surgem para contribuir para uma carreira de sucesso.

Até sexta-feira. Amanda ainda pode aproveitar bem a oportunidade que tem e passar por cima do “muro” que foi colocado à sua frente com a ausência dos encontros com a imprensa credenciada para o UFC 207. Mas a verdade é que, no fim das contas, uma vitória contra Ronda Rousey e a manutenção de seu título peso galo feminino do UFC são, de fato, a melhor maneira de anunciar ao mundo o seu talento. E dentro do octógono ela não precisará falar uma palavra, terá apenas fazer o que sabe.

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