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Até quando Jon Jones será refém do próprio passado?

Jon Jones é campeão meio-pesado do UFC
Foto: Divulgação / UFC

Astro principal do UFC 247, que acontece. neste sábado, em Houston, Texas (EUA), Jon Jones sempre terá seu nome associado a alguma polêmica de seu passado. E dias antes de sua próxima disputa de cinturão como campeão meio-pesado, dessa vez contra Dominick Reyes, não é diferente. O americano ainda sofre com a desconfiança por trás dos famosos picogramas encontrados em seu organismo em 2018. Estivesse o caso 100% encerrado, um dirigente do UFC não precisaria na semana de seu retorno exaltar publicamente os inúmeros testes antidoping pelo qual Jones passou na última temporada. Mas isso é bom ou ruim para o campeão?

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No Bodog, Jones é favorito com odds que oferecem 20% de lucro, caso vença, enquanto o possível triunfo de Dominick rende cerca de 350%. É um retorno de R$ 4,50 a cada R$ 1 investido.

Pra quem não se lembra, Jones caiu no doping pela última vez em julho de 2016. Ele foi suspenso e punido por isso, mas acontece que na semana que antecedeu o UFC 232, em dezembro de 2018, foi revelado que exames apontaram a presença de picogramas, traços da substância proibida em seu organismo. Após análise da Usada (Agência Antidoping dos Estados Unidos), a direção do UFC e do programa Antidoping da organização entendeu que a quantidade da substância presente no corpo de Jones era irrelevante, e provavelmente um resquício do antigo doping e, por isso, não havia com o que se preocupar. Mas é aquilo: quando você está no topo, tudo será usado para derrubá-lo.

O que acontece é que desde então Jones entrou num programa antidoping sendo testado não só pela Usada como pelas comissões de Nevada e da Califórnia regularmente. Segundo Jeff Novitsky, diretor do programa antidoping do UFC, Jones foi testado um total de 42 vezes em 2019.

“Em 2019, Jones foi submetido a 42 testes antidoping surpresa por três entidades diferentes (USADA, CSAC e NSAC). Nos meus 20 anos de experiência no mundo antidoping, essa é a maior quantidade de testes anuais pelos quais vi um lutador passar, em todos os esportes”, declarou Jeff, em publicação no Twitter.

É claro que a informação é sempre válida, é de fato um número relevante que limpa a barra do campeão dos meio-pesados caso alguém se atreva a descreditá-lo dias antes da sua luta no UFC 247. Mas por outro lado, o “timing” foi péssimo, pois essa declaração pública passa a impressão de que talvez Jones nunca consiga apagar os dramas do seu passado. Nem quando o assunto parece ter sido ignorado pelo adversário, pela imprensa e pelos fãs, o próprio UFC esquece essa história. É como se o UFC já tivesse querendo protegê-lo de algo que ele ainda nem foi acusado.

Ou pior. Talvez esteja preparando o terreno pro caso de uma nova bomba explodir.

O problema é o próprio UFC trazer à tona assuntos que não o engrandecem dias antes de seu retorno. Ele pode passar por 764 testes, vai ser curioso, mas sempre vamos lembrar que ele só passa por isso por conta do(s) doping(s) do passado.

O lado bom é que Jones hoje Jones lida melhor com esse tipo de polêmica do passado que ainda o atormente. Lembremos: ser polêmico faz parte de seu legado como um todo. Numa entrevista a Ariel Helwani na ESPN, o americano foi questionado se era capaz de prometer uma década inteira sem qualquer polêmica e ele foi mais do que sincero: “Não se pode prometer nada nessa vida. Acredito que a tempestade ficou pra trás, mas somos humanos, tudo sempre pode acontecer. Hoje estou focado em seguir em frente e só vejo grandeza diante de mim”, explicou o campeão.

Outra coisa interessante é que Jones admitiu que leva uma vida normal e não abre mão de suas tradições pré-luta. Ele não disse isso com todas as letras, mas vale lembrar que uma das tradições de Jones no passado era encher a cara até cair bêbado uma semana antes de suas lutas. Eu não acredito que ele continue bebendo nesse nível, mas pelo tom da resposta na entrevista, ele não abre mão de fazer as coisas que gosta. E ele nem precisa. O segredo é a moderação.

Por que a partir do momento que Jon Jones entende que seu maior inimigo é ele mesmo, se ele conseguir controlar seus próprios demônios de forma que ele continue se divertindo sem destruir sua própria carreira, ele certamente vai atingir um novo nível de grandeza.

Mas eis a questão. Será Jon Jones capaz de controlar as tentações por muito tempo?  É saudável manter hábitos que remetem mesmo que meramente a um passo perigoso? Estão de fato seus demônios exorcizados? Só o tempo vai dizer. Por enquanto, ele terá de continuar lidando com um certo nível de desconfiança seja em relação a seus antigos casos de doping ou em relação a sobriedade. Até que suas performances no cage voltem a ser grandiosas o suficiente pra fazer o mundo ignorar os erros do passado de uma vez por todas.

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