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Marreta perde para Jones no UFC 239, mas dá passo largo para se tornar gigante do esporte

Thiago Marreta fez luta dura contra Jon Jones no UFC 239
Foto: Divulgação / UFC

O que Thiago Marreta fez dentro do octógono diante de Jon Jones no UFC 239, no último sábado (6), em Las Vegas (EUA), pode ser definido como um ato heroico. Com uma lesão no joelho desde os minutos iniciais do combate, o brasileiro fez luta dura, assumiu o controle em diversos momentos, levou perigo ao rival, e mesmo com a derrota na decisão dividida – o que mostra o quanto a luta foi apertada – sai do duelo gigante, tendo conquistado o respeito e a admiração do mundo das lutas de forma quase que unânime. Foi por muito pouco que ele não quebrou a banca de forma histórica.

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O brasileiro calou a boca de muita gente – inclusive a minha – que apostava que as únicas chances que ele tinha de bater Jones se resumiam ao nocaute nos minutos iniciais. O que ele mostrou foi que é mais do que capaz de bater Jones na decisão, uma vez que ele quase fez isso bem abaixo dos 100%. Marreta enfrentou Jones e a dor do joelho esquerdo, que segundo ele, “saía do lugar toda hora” durante a luta. É surreal imaginar o que ele teve de suportar. Mesmo machucado, seguiu valente, partindo para cima e oferecendo perigo a Jones mesmo quando o americano cresceu no combate.

Marreta foi frio, estratégico e perigoso o tempo todo. Perdeu um pouco da movimentação quando sofreu a lesão, o que abriu caminho para Jones crescer no terceiro round, mas sua performance deve ser exaltada.

Jones foi mais uma vez clínico. O americano sabe o que faz, não tem pressa, e respeitou muito o poder de nocaute de Marreta. Se expôs pouco, de forma inteligente, conseguindo dois knockdowns contra o brasileiro.

O primeiro e o segundo round foram claros para Marreta, enquanto o terceiro e quarto foram claros para Jones. O quinto foi parelho, mas ainda assim Jones teve mais golpes significantes, e isso parece ter pesado.

O triunfo de Marreta não me surpreenderia. Não foi à toa que um dos três juízes laterais viu Marreta campeão. Mas achei justa a vitória de Jones na decisão dividida devido ao volume um pouco maior, controle do octógono e aquela velha questão: para se tirar o título do campeão na decisão, não se pode deixar dúvidas. Em duelos apertados, historicamente o campeão fica com o cinturão – concordemos com isso ou não.

A derrota se torna apenas um detalhe diante da bravura e do feito de Marreta. Para um cara que um ano atrás era apenas um lutador em busca de regularidade na categoria dos médios, cerca de 10 meses depois disputar o cinturão dos meio-pesados e por muito, muito pouco não destronar uma lenda da grandeza de Jon Jones, dando uma aula de superação dentro do octógono ao lutar com uma lesão grave, o espírito de campeão no momento compensam.

E como se não bastasse o que ele fez dentro do cage, no discurso pós-luta o brasileiro ainda deu uma aula de humildade, sem lamentar a lesão, se dizendo fã de Jones, agradecendo Deus e o mundo e nem sequer pedindo uma revanche, sem reclamar do resultado. É aquela coisa. “Nada a reclamar, só agradecer”. Postura digna de campeão. É para poucos.

Jon Jones também esbanjou humildade após a luta, reconhecendo o feito de Marreta, elogiando sua postura respeitosa após o combate, classificando o brasileiro como “lutador mais poderoso que já enfrentou”, se dizendo orgulhoso de ter batido Marreta em pé e pedindo que a cria da Cidade de Deus seja valorizada pelo povo brasileiro.

O presidente do UFC Dana White chegou a dizer que “quem viu vitória de Thiago Marreta não deve pontuar uma luta de MMA nunca mais”  e que achou a performance de Jones “dominante” durante todo o confronto. Das duas uma: ou Dana assistiu outra luta ou lançou esse discurso para evitar que o assunto “revanche entre Jones e Marreta” atrapalhe os planos futuros de uma possível trilogia entre Jones e Daniel Cormier.

Não tenho dúvidas de que uma revanche entre Jones e Marreta deve acontecer no futuro. Pode não acontecer agora, mas o brasileiro e o americano certamente se reencontrarão no cage desde que Marreta siga no topo da categoria. Foi uma luta apertada, e o questionamento “imagina se Marreta não luta lesionado” é o suficiente para gerar interesse numa revanche.

Por fim, o público brasileiro amante de esporte deve reconhecer em Thiago Marreta um novo ícone nacional. É claro que o cinturão, o título e o brilho de uma vitória são mais atrativos. A derrota não significa que Marreta nunca será campeão. Pelo contrário. Esta nos mostra o quanto vale acreditar na capacidade do lutador.

Depois de uma história de vida que contou com uma vitória diante de uma doença rara quando bebê, a dificuldade da família em buscar abrigo após uma enchente, o cotidiano dominado pelo tráfico na Cidade de Deus, a perda do pai após o início da carreira no MMA e a resiliência diante dos altos e baixos de sua trajetória nas lutas, o título é algo pequeno demais para não tratar Thiago Marreta como um campeão.

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