Tênis

Quando vai mudar? Eliminação precoce na Copa Davis escancara má administração do tênis brasileiro

Foto: Kiyoshi Ota/Getty Images

Após estar vencendo o confronto com a Colômbia em 2×1, equipe tupiniquim sentiu a pressão e caiu nos dois jogos seguintes, deixando o país de fora da repescagem pela primeira vez desde 2004

Quando você acha que o tênis brasileiro está no fundo do poço, é preciso pensar bastante antes de responder. Isso porque neste processo um novo e vexatório episódio pode estar acontecendo. O último da vez foi a eliminação para a Colômbia, no Zonal Americano da Copa da Davis, e que deu ao país a proeza de ficar de fora da repescagem do torneio entre nações pela primeira vez em 14 anos. Mas a vitória em quadra, que poderia ter vindo no último dia, já que os tupiniquins lideravam o confronto em 2×1 após vitória dos xarás Marcelo Melo e Marcelo Demoliner nas duplas, é sinceramente o menos importante neste momento. A questão é saber: quando nossos atletas serão acompanhados de forma profissional para que evoluam e quando os responsáveis pela administração do esporte que tanto encantou nós brasileiros ao longo das décadas vão assumir seus erros? O objetivo da coluna de hoje não é encontrar culpados, até porque se você acompanha o tênis já sabe muito bem para quem a “conta deveria chegar”, mas sim fazer uma reflexão.

 

João Zwetsch x jogadores

Não é novidade para ninguém que a equipe brasileira tem passado por inúmeros problemas de relacionamento. Apesar da proximidade entre os tenistas, o capitão João Zwetsch não tem falado a mesma língua de muitos atletas. Seja no esporte, ou em qualquer outra área, se há um ruído de comunicação, as chances de um resultado ser alcançado são mínimas.

É assim, ou melhor, aos trancos e barrancos que o Brasil tem sobrevivido na Copa Davis. É só lembrarmos do duelo recente contra a República Dominicana, há dois meses, quando nada mais do que cinco atletas – Rogério Dutra, Thomaz Bellucci, Guilherme Clezar, João Feijão e Bruno Soares – declinaram ao convite.

É importante deixarmos claro que cada um teve seu motivo, como Soares, que acompanhou o nascimento de sua filha, ou Bellucci, que após punição por doping não se encontrava em sua melhor forma física. Outros decidiram priorizar os pontos da ATP. Mas o que é válido discutir é por que tantos nãos? O problema de relacionamento entre Zwetsch, Rogerinho Dutra – número 1 do país no ranking – e Feijão, por exemplo, era apenas a ponta do iceberg. E, o que era para servir como um alerta para o país voltar se fechar, ou aos menos, amenizar as desavenças, foi mascarado com a vitória no confronto, no qual marcou a estreia do jovem João Pedro Sorgi. Mas a conta veio agora em abril, quando o Brasil perdeu para um país que sequer conta com tenistas no Top 200 da ATP.

 

Promessas, evolução e amadurecimento

Diante de tantas críticas sobre a atual fase do tênis brasileiro, eu me pergunto: qual é a posição do Brasil neste esporte? Cobramos resultados no tênis, voleibol, F-1 e basquete como se fossem o futebol, nosso carro-chefe e o esporte mais praticado no país. É importante sabermos que o tênis não é uma modalidade que irá revelar novos Neymar, Gabriel Jesus, Philippe Coutinho a cada ano, mas é também importante sabermos que temos potencial para ver jogadores no Top 100.

Obviamente que o Brasil está longe de se tornar uma potência mundial como a Espanha, que por exemplo possui sete tenistas no Top 40, incluindo o número 1 Rafael Nadal, mas é preciso utilizar todas as ferramentas para ajudar na evolução de nossos atletas. E se a CBT tem “empacado” neste processo, está mais do que na hora de uma mudança.

É só olharmos os talentos que tivemos nos últimos anos e que, infelizmente, vivem um período cinzento em suas carreiras. Marcelo Zormann e Orlando Luz ganharam os holofotes em 2014, quando se tornaram os primeiros brasileiros a vencerem o torneio juvenil de Wimbledon. Quase quatro anos se passaram e os ainda jovens – é bom deixar bem claro – ainda não amadureceram.

Se serve de consolo, Marcelo Melo, hoje número 1 do mundo nas duplas, só maturou depois dos 30. E olha que os problemas para superar falta de visibilidade da modalidade não foram poucos. Mas será que precisamos esperar que estes atletas evoluam por si próprio ou que desistam de suas carreiras se ao mesmo tempo podemos dar uma “ajudinha”? É esse, no meu entendimento, o principal objetivo de uma confederação, que precisa dar condições necessárias – apoio financeiro, técnico e psicológico – para seus atletas desempenharem seu melhor tênis dentro de quadra. Agora, se a CBT pensa diferente – e a cada dia está mais claro -, então estaremos sozinhos nesta luta.

 

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