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O que faz de Rose Namajunas uma campeã especial em meio aos tempos atuais do UFC

Foto: Divulgação/UFC

Além da conquista de título de Khabib Nurmagomedov na categoria dos leves, o UFC 223 contou com a segunda vitória de Rose Namajunas contra Joanna Jedrzejczyk. A americana bateu a rival polonesa na revanche e manteve o cinturão peso palha feminino da maior organização de MMA do mundo. Mais do que acumular o novo triunfo na carreira, Rose provou que o resultado da primeira luta não foi sorte ou acaso, e mostrou ao longo de cinco rounds o quanto evoluiu como lutadora de MMA.

Quem olha o cartel de Rose não faz ideia da atleta talentosa que ela é. Ela acumula oito vitórias e três derrotas na carreira em 11 lutas. Ela chegou ao UFC através do The Ultimate Fighter 20. O reality show coroou a primeira campeã peso palha do evento, em 2014. Rose chegou à final da edição, mas acabou perdendo para Carla Esparza, que se tornou a primeira campeã da divisão. Depois desse revés, ela emplacou seis vitórias nas últimas sete lutas e mostrou dentro do octógono uma evolução incrível. Para se ter uma ideia, Namajunas chegou para o primeiro duelo com Joanna conhecida por suas especialidade na luta de chão. Ela finalizou três rivais no octógono até chegar ao título e tinha tal habilidade como maior arma. Mas nas duas lutas contra Joanna, Rose mostrou que seu arsenal é maior do que o de anos atrás.

A luta entre Rose e Joanna no UFC 223 foi espetacular. Em ritmo acelerado desde o primeiro round, as atletas passaram a maior parte do confronto na trocação, onde Jedrzejczyk é especialista após uma carreira no muay thai. Mas o que se viu foi uma Namajunas segura de pé. A americana em nenhum momento evitou o boxe e mostrou ter desenvolvido um talento respeitável na trocação. Depois de nocautear Joanna no primeiro combate, Rose mostrou que pode lutar cinco rounds intensamente de pé. Bem na esquiva, com golpes certeiros e variados, Namajunas deu um show.

O resultado foi apertado. Honestamente se Joanna tivesse sido declarada campeão não me surpreenderia. Foi um combate parelho. Mas é aquela velha história. Para se tirar o cinturão do atual campeão na decisão dos juízes não se pode deixar dúvidas. Tanto Rose Namajunas quanto Joanna Jedrzejczyk poderiam ter vencido, e quando isso acontece o título fica com a atual campeã. E foi muito justo, pois ambas mostraram muito coração e garra. Foi uma aula de técnica.

Bom mesmo é ver uma atleta como Rose Namajunas como campeã. Nada contra o estilo falastrão, provocativo e de autopromoção. Pelo contrário. Sou fã de muita gente que adota essa postura. Mas apenas por uma questão de equilíbrio nesta cadeia alimentar marcial, dá gosto ver personalidades humildes como a de Rose Namajunas ganhando o topo do esporte de forma tão indiscutível. Afinal, qual outro lutador  ou lutadora conquista o título de forma avassaladora no primeiro round contra uma campeã dominante, dá a revanche imediata, vence no reencontro de forma diferente e muito mais convincente e se limita a definir-se como “apenas uma pessoa normal”. Quem faz isso hoje em dia? Só isso já faz de Rose Namajunas uma campeã especial. Que seja apreciada como merece!

Ah, antes que eu me esqueça… Notem a que ponto chegamos. Humildade deveria ser uma característica comum em atletas de MMA, mas diante dos novos tempos, onde todo mundo quer ser o melhor e ser reconhecido como tal goela abaixo, uma lutadora que não esboça arrogância, confiança exagerada ou qualquer outra características nesse sentido, Rose Namajunas acaba se destacando.

Para encerrar, deixo aqui a entrevista da Rose logo após a vitória no UFC 223. Que outro campeão ou campeã do Ultimate inicia a entrevista pós-vitória (e que vitória) com um “me desculpem”? Pensem e me digam se ela não merece ser apreciada.

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