Vôlei

Mundial de Vôlei Masculino 2018: o que representam as três vitórias do Brasil contra a Holanda?

Jogadores da Seleção Brasileira de Vôlei Masculino
Foto: Tarso Sarraf/Inovafoto/CBV

Seleção comandada por Renan dal Zotto não encontrou dificuldades para bater os europeus nos três amistosos realizados no Brasil

O Brasil fez o que dele se esperava e encerrou, nesta quarta (22), da melhor maneira possível, a sua série de amistosos contra a Holanda, a famosa adversária na decisão do ouro de 1992, o primeiro título olímpico da seleção. Foram três jogos e três vitórias – a última delas, nesta quarta, de forma arrasadora por 3 sets a 0 (25/16, 25/17 e 25/10), diante de quase sete mil torcedores no Ginásio Guilherme Paraense, o Mangueirinho, em Belém.

O ponteiro Douglas foi uma máquina de derrubar bolas e terminou o confronto com o maior número de pontos: 17. O oposto Evandro e o central Éder terminaram com 10 pontos, cada um. O ataque brasileiro funcionou, de fato, muito bem, mas é bem verdade que a Holanda em momento algum se encontrou em quadra.

 

Brasil tem a sensação de dever cumprido

O Mundial será realizado de 9 a 30 de setembro, na Bulgária e na Itália, mas já pode se dizer que ele até mesmo já começou, tamanha a seriedade dos favoritos envolvidos. Trata-se, afinal, do principal campeonato da temporada. O Mundial, desde a explosão do vôlei no Brasil nos anos 1980, sempre foi tratado como uma competição tão importante quanto a Olimpíada, e tal hierarquia não mudou em nada. Pelo contrário. É de se esperar uma luta insana pelo título entre Rússia, EUA, França e Brasil.

O técnico Renan dal Zotto analisou os amistosos diante da Holanda de uma maneira bastante positiva. “Eles foram importantes para que ganhássemos ritmo de jogo e pudéssemos observar onde podemos ajustar, quais pontos precisamos melhorar”, disse. “Conseguimos imprimir um ritmo de saque muito forte aqui em Belém, com poucos erros, pressionando a Holanda de forma bastante interessante. Ainda queremos ajustar algumas coisas nestes dias antes do Mundial. A torcida deu muita energia positiva, também, isso é muito bom para levar esse sentimento de alegria para o Mundial.”

Antes do massacre desta quarta em Belém, o Brasil havia batido a Holanda por 3 a 1, em Manaus, e também por 3 a 0, em Brasília.

“Fizemos três grandes jogos”, falou o oposto Wallace. “Tivemos uma pequena oscilada em Manaus, e esse de Belém foi o melhor, sem dúvida. Mas fomos bem no geral. Sacamos muito bem, colocamos o passe deles em dificuldade, não deixamos que eles entrassem no jogo. Temos um bom caminho pela frente, sempre buscando melhorar. Vamos realizar alguns amistosos na Europa, antes do Mundial, e esperamos chegar muito bem para o torneio.”

A questão psicológica foi ressaltada pelo capitão Bruninho: “É uma emoção grande quando vamos para cidades que não jogamos com tanta frequência, como foi em Manaus e Belém. Você percebe o quanto o público gosta de vôlei, quanto torce por nós. Foi uma experiência sensacional. Agora vamos concentrar ao máximo, ir com tudo para o Mundial, que será uma ‘pedreira’. Mas, valeu muito poder jogar, dar ritmo de jogo para todos os atletas e receber a energia desse público maravilhoso”.

 

Teste válido

O Brasil realizou o rodízio que Renan realmente esperava, e o nível da equipe se manteve alto durante todas as parciais. Os titulares foram Bruno, Wallace, Éder, Isac, Kadu e Douglas, com Evandro, Milliam, Lucas Lóh e Maurício Souza partindo do banco. O líbero foi Thales.

Em questões técnicas e táticas, é interessante ressaltar a força do saque brasileiro, que funcionou de maneira determinante para fechar o primeiro set no qual a equipe chegou a estar perdendo em seu começo.

Na segunda parcial, o que ficou bem nítido foi a capacidade brasileira de converter contra-ataques. O bloqueio também funcionou de maneira bastante eficiente, e a Holanda em momento algum se sentiu cômoda em quadra. O 25/17 poderia ser até mesmo mais elástico.

O terceiro set teve uma cara bastante parecida: o Brasil fez o seu saque funcionar melhor e destruiu a recepção da Holanda. O passo seguinte foi o que sempre ocorre em partidas em que as duas equipes demonstram níveis tão diferentes. O Brasil começou a circular o seu ataque com uma rapidez inacessível para a Holanda, que passou a falhar também na defesa. Tal tática é habitual no vôlei: o time superior primeiro desmonta o passe; logo em seguida, a defesa.

O que acaba sendo raro é uma equipe se entregar tão rápido como a Holanda: o fato de ser o terceiro amistoso seguido certamente ajudou a partida a acabar logo em um insosso 25 a 10 que poderia ter um desfecho diferente, até em respeito ao público que não vê tal nível de vôlei todos os dias.

 

 

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