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Causa ‘minúscula’ provoca mudança gigantesca no UFC 232, e Jon Jones volta a ter nome ligado ao doping

Jon Jones se prepara antes do UFC 214

Era bom demais para ser verdade. A poucos dias do UFC 232, que acontece no dia 29 de dezembro, Jon Jones virou mais uma vez alvo de polêmica e desconfiança tendo seu nome ligado a um caso de doping. Dois testes antidoping realizados no início de dezembro detectaram um “picograma” de metabólitos de turinabol, esteroide anabolizante, no organismo do ex-campeão do UFC. Uma quantidade tão pequena que embora a Usada (Agência Antidoping dos Estados Unidos) e o UFC tratem Jones como “limpo” e apto a lutar contra Alexander Gustafsson em disputa de cinturão dos meio-pesados, a novidade fez com que o último evento do ano mudasse a menos de uma semana de seu acontecimento de Las Vegas para Inglewood, Califórnia (EUA).

Eis a história…

No último dia 6 de dezembro, Jones passou por um teste surpresa. Um outro teste ocorreu no dia 9 – com o mesmo resultado. O americano teve detectado no no corpo algo em torno de “um picograma” de turinabol. Para quem não faz ideia da quantidade representada por um picograma, segundo Jeff Novitzky, diretor do programa de controle antidoping do UFC, “se você quebrar um pedaço de sal em 50 milhões de partes, uma delas será um picograma”. Pois é. A entidade sugere que tal quantidade pode ser um resquício da substância usada por Jon Jones antes do UFC 214, quando dias após nocautear Daniel Cormier o americano foi flagrado no doping pelo uso do mesmo turinabol. Segundo Novitzky, os exames de Jones foram analisados por especialistas do mais alto calibre que confirmaram duas coisas: primeiro que os resultados não sinalizam um uso recente de qualquer substância probida, e segundo que a quantidade encontrada não é o suficiente para melhorar a performance de Jones no octógono.

Todo o processo até a decisão de mudar o UFC 232 de cidade foi explicado por Dana White, presidente do UFC, e Jeff Novitzky, diretor de controle antidoping, no vídeo publicado pelo MMA Junkie (ao fim deste artigo).

É mais um capítulo da confusa e única história de Jon Jones no MMA. Casos parecidos como este tem acontecido em outras modalidades, assim como na NFL. Como se trata de Jon Jones, que já caiu consequentes vezes no doping, um pé atrás sempre o acompanha. Ele naturalmente já é alvo de diversas críticas e vai seguir rumo ao UFC 232 coberto de confiança. E vai permanecer independente do resultado. Ao todo, segundo Dana White, Jones passou por oito testes antidoping desde que foi flagrado no ano passado. E saiu limpo de todos. Uma organização como a Usada que já pegou Jones uma vez às vésperas do gigante UFC 200 não teria problema em vetá-lo novamente caso o julgasse culpado. Mas que é estranho, é.

Jones se pronunciou em suas redes sociais a respeito do caso e garantiu estar limpo. “Estou focado em alcançar meu objetivo maior que é recuperar o título dos meio-pesados. Eu me submeti a todos os testes da Usada que foram necessários e a Usada confirmou o que tenho dito há tempos. Sou um atleta limpo. Eu sinceramente agradeço a Comissão Atlética do Estado de Nevada e Andy Foster por fazer o certo e me apoiarem ao longo desse processo. Mal posso esperar para lutar com Alex Gustafsson neste sábado, dia 29 de dezembro em Inglewood, Los Angeles.”

Para que Jones pudesse lutar em Las Vegas, a Comissão Atlética do Estado de Nevada precisaria de mais tempo para avaliar seu caso. Como o evento já acontece no próximo sábado, a comissão não teria tempo o suficiente para avaliar a liberação ou não de sua licença para praticar o MMA no estado. Como o último doping de Jones aconteceu no estado da Califórnia e a comissão deste estado já acompanhava seu caso de perto além de já ter recentemente aprovado a liberação para Jon lutar por lá.

Seria muito mais fácil afastar Jones do evento e fazer tudo com mais calma, dentro do tempo necessário. Mas se trata de Jon Jones. Depois de tanto tempo perdido com suspensões e problemas extra-octógono, o mundo precisa vê-lo lutando o quanto antes. Ele é um grande vendedor de pay-per-view e gera muito dinheiro ao UFC. Por ser a estrela que é – independente das polêmicas que se envolveu nos últimos anos – a decisão do UFC de mudar o evento de Las Vegas para Los Angeles é gigante. A organização obviamente terá de redirecionar toda sua logística para um novo estado. Sem contar que não é apenas Jones e Gustafsson que terão de mudar seus vôos, suas reservas de hotel e seus planos para Califórnia. Cris Cyborg, Amanda Nunes e todos os outros 22 lutadores junto a suas equipes, famílias, amigos o quem mais fizer parte de seu staff terão de ajustar os planos. Sem contar com o batalhão de jornalistas que viaja para cobrir as lutas dos UFC. O número de pessoas impactadas das mais diversas formas por conta desse “um picograma” é incalculável.

O triste é que embora Jones passe “limpo” sob o julgamento da Usada e do UFC após mais esse caso, para os fãs do esporte (frequentes e de ocasião) ele segue cercado de dúvidas quanto a sua legitimidade ao entrar no octógono mais famoso do mundo. Só nos resta aguardar e esperar por histórias que – diferente desta – nos façam acreditar que Jones está no caminho certo, não é uma lenda do esporte por conta de substâncias ilegais e ainda tem muito a conquistar no MMA.

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