Carioca

Campeão carioca em 2018, Botafogo consagra ‘time de guerreiros’ e resgata o seu torcedor

Botafogo campeão carioca 2018
Foto: Vítor Silva/SSPress/Botafogo

Conquista do Glorioso sobre o Vasco no Maracanã foi a mais emocionante dos últimos tempos – uma verdadeira lição a quem menosprezou o Carioca deste ano…                   

O botafoguense começou a semana gargalhando como nos tempos de Túlio e Donizete. É claro que o Glorioso ainda está encontrando um time que repita as suas proezas dos anos 60 e daquela inesquecível metade da década de 1990. Mas olhar demais para o passado é, convenhamos, injusto com o positivo presente do Alvinegro que ergueu um troféu tão suado neste domingo (8), em um Maracanã vestido de gala como nos melhores tempos.

Nada menos que 64.200 torcedores – maior público do Brasil em 2018 – estiveram no estádio e prenderam a respiração na decisão por pênaltis que coroou todo o esforço deste Botafogo “guerreiro” e campeão carioca pela 21ª vez.

Vale situar esta conquista. O Botafogo tem agora 21 taças, contra 24 do Vasco, 31 do Fluminense e 34 do Flamengo. Mas são poucos os times que podem se gabar de ter conquistado um título com tamanho drama.

 

Duas decisões inesquecíveis

Se a primeira final contou com um emocionante 3×2 para o Vasco, a segunda partida não ficou atrás. Foi o duelo do desespero e das inúmeras faltas. O Botafogo corria com todas as suas forças atrás de um gol; o Vasco se esforçava para segurar o placar, pois o 0x0 garantiria a conquista do Gigante da Colina.

Mas o futebol consegue mesmo ser muito matreiro. O Vasco, que havia vencido a semifinal e a primeira final com gols apenas nos acréscimos, desta vez perdeu o título por um gol igualmente nos descontos. Foi do raçudo zagueiro argentino Carli, que fez a torcida do Fogão explodir com um gol apenas aos 49 do segundo tempo. Não há mesmo forma mais emocionante de se conquistar um título – ainda mais se depois do gol salvador vier uma decisão por pênaltis.

O Botafogo hoje é um time internacional e que fala castelhano. No tempo normal, gol salvador do capitão argentino Carli. Nos pênaltis, o brilho do goleiro uruguaio Gatito Fernández, que pegou as cobranças de Werley e Henrique e acertou o canto da maioria dos chutes.  Como dizem os vizinhos: Hermoso!

 

‘Time de guerreiros’

O botafoguense pode tomar emprestado com toda a tranquilidade o famoso canto da torcida do Fluminense. Este time que hoje veste o manto preto e branco já entrou para a história pela sua superação e pela dignidade para vencer os obstáculos da temporada.

Um exemplo veio na comemoração, ainda no vestiário do Maracanã, quando o treinador Alberto Valentim se reuniu com o grupo e revelou um pacto com os atletas. E eles responderam da melhor maneira. O elenco ficou abalado demais depois da grave lesão sofrida por João Paulo, justamente no confronto contra o Vasco, o outro finalista. João Paulo era um dos jogadores mais queridos pelos companheiros e estava atuando como capitão. Houve uma verdadeira comoção com o seu afastamento, e os jogadores fizeram um acordo para lutar por este título até o fim para dar forças ao colega que só deve voltar ao futebol no ano que vem – isso se voltar, pois fraturas tão graves assim costumam gerar sequelas que impedem que o corpo retorne ao nível anterior.

Este título coroa também a luta de um time que tem a menor folha salarial entre os grandes do Rio. O Botafogo paga a todos os seus atletas um valor de R$ 3 milhões a cada mês. É apenas um terço do Flamengo, que destina R$ 9 milhões aos seus jogadores a cada 30 dias. Segundo estimativa publicada neste domingo (8) pelo portal UOL, apenas cinco jogadores rubro-negros ganham, juntos, mais do que todos os 34 botafoguenses. Os atletas do Fla que despontam como milionários – mas que agora precisam aplaudir o título do Fogão – são Diego, Diego Alves, Guerrero, Henrique Dourado e Everton Ribeiro.

Com certeza não custa lembrar: este abastado Flamengo foi eliminado na semifinal do Carioca justamente pelo esforçado Botafogo.

 

Um ‘tim-tim’ a Alberto Valentim

Golpeado e sem saber muito bem o que fazer, o Botafogo se viu na estranha situação de precisar mudar de técnico ainda em fevereiro, com a saída de Felipe Conceição e a entrada de Alberto Valentim por indicação de Cuca – o preferido para a vaga, mas que optou por seguir inativo e facilitar a negociação com Valentim, que era o seu auxiliar no Palmeiras.

E o novo treinador – novo mesmo, de apenas 43 anos – mostrou personalidade e tato para lidar com os jogadores. Merece mesmo um brinde – um “tim-tim a Valentim”, como brincaram os dirigentes que acertaram a sua contração. “Eu disse que seria muito sincero com todos os jogadores, mas para o bem coletivo”, resumiu o técnico no vestiário depois da primeira conquista da sua recém-iniciada carreira.

E é bom que o clube realmente sinta o gostinho do título nesta segunda-feira (9), porque a próxima competição do Fogão já está batendo na porta. A estreia do clube na Copa Sul-Americana já vai ser nesta quinta (12), às 19h15 (de Brasília), contra o Audax Italiano, na cidade de La Florida, no Chile.

 

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