Copa do Mundo Rússia 2018

Análise: peso de três prorrogações foi fatal para Croácia, e França ganha Copa do Mundo com justiça

Foto: Robbie Jay Barratt - AMA/Getty Images

Sempre atrás no marcador, croatas não tiveram a chance de poupar o fôlego dentro da partida e não perderam de goleada por 4 a 1 porque Lloris tomou o papel de vilão de Mandzukic

Uma final que entrou para a história – e com seis gols no tempo normal. O domingo do dia 15 de julho de 2018 ficará marcado como o dia em que a França conquistou o bi da Copa do Mundo, mas também uma data em que a Croácia se lembrará para sempre, com muito orgulho, de verdadeiros heróis que deram a vida em campo (e não só o zagueiro) ao lutarem no limite do desgaste – após três prorrogações seguidas e duas disputas de pênaltis desde as oitavas de final do Mundial da Rússia.

 

CROÁCIA LUTA ATÉ O FIM, MAS AS PERNAS NÃO MAIS PUDERAM ALCANÇAR A FRANÇA

Para quem imaginou que os croatas “cozinhariam” o jogo no início, em uma nítida tentativa de guardar o fôlego para o segundo tempo, se enganou. Pelo visto, a tática do técnico Zlatko Dalic foi justamente inversa: conseguir uma boa diferença no placar de cara e ficar atrás esperando os contra-ataques. Mas a blitz que deu certo para a Bélgica contra o Brasil não se mostrou eficiente em favor do selecionado dos Bálcãs diante dos franceses. O motivo: uma muralha defensiva erguida por Didier Deschamps com a ajuda de dois exímios “engenheiros”: Varane e Umtiti.

Nos primeiros dez minutos, os Bleus se limitaram a se defender. E na primeira vez que foram efetivamente em busca do gol, aos 17 minutos, Mario Mandzukic usou seu faro de artilheiro do lado errado. Em cobrança de falta perto da intermediária, Antoine Griezmann jogou a bola na área, mas foi justamente o atacante da Juventus que estufou as redes de Subasic na abertura do placar da decisão.

O balde de água fria não desanimou a Croácia, mas, para reagir, seria preciso sacrificar ainda mais o já combalido estoque de fôlego. E tome correria para cima dos Bleus. E a recompensa pela garra dos “quadriculados” veio dez minutos depois. Mandzukic se redimiu um pouco da lambança ao lutar no alto com Pogba. Na sobra, Vida conseguiu escorar para Perisisc. O veloz ponta da Internazionale tirou Kanté da jogada e desferiu um chutaço que morreu nas redes de Hugo Lloris, mas com um leve desvio de Varane.

 

TECNOLOGIA TEM PAPEL INÉDITO EM UMA FINAL DE COPA DO MUNDO

Com tudo igual no placar, nenhum dos dois times quis levar a igualdade para o vestiário. A França decidiu retomar a vantagem com a ajuda de um “12º jogador” chamado VAR, que “disputou” sua primeira final de Copa. Aos 33 minutos, eis que acontece o lance mais polêmico da final. Griezmann cobrou escanteio que encontrou Matuidi. Após a finalização, o juiz não dera nem escanteio. Mas os franceses correram para cobrar um toque de mão de Perisic dentro da área. Após a discussão com o árbitro de vídeo, que durou quase três minutos, Néstor Pitana apontou a penalidade máxima. Sorte de campeão? O próprio Griezmann foi para a bola e não desperdiçou: 2 a 1.

 

NO SEGUNDO TEMPO, FIM DO SONHO SE DÁ EM 19 MINUTOS

No vestiário, é possível imaginar a sensação de inconformidade dos croatas com a marcação do pênalti e a desvantagem no placar. Mas em várias outras situações nesta Copa, os comandados de Zlatko Dalic conseguiram reagir. O problema é que a confiança estava intacta, mas os corpos dos atletas, levados à exaustão após três prorrogações seguidas, tinham chegado ao limite extremo da energia residual.

O primeiro tiro de misericórdia francês aconteceu aos 13 minutos da etapa complementar. E que tiro foi esse? Mbappé cruzou para Griezmann na área. Com muita categoria, o craque do Atlético de Madrid ainda deu uma embaixada para, enfim, entregar a redonda açucarada para Pogba. Na primeira finalização, o chute do camisa 6 carimbou na zaga. Porém, no rebote, ele foi cruel ao pegar na bola de chapa, pegando Subasic no contrapé. Indefensável.

Seis minutos depois, Mbappé, sempre ele, acompanhou Hernandez no contra-ataque. Decisivo, o camisa 10 mandou a sapatada da entrada da área. Belo gol e 4 a 1 no placar. Àquele momento, os croatas desabaram emocionalmente. Mesmo assim, Lloris fez questão de recompensar Mandzukic pelo gol contra, ao tentar dirbrá-lo dentro da pequena área.  O desleixo do goleiro custou caro, e a Croácia diminuiu o prejuízo para 4 a 2.

O resto da história, todo mundo sabe. Mas fica a lição de que Copa do Mundo é uma competição de tiro curto, mas também uma reserva de energia que precisa ser muito bem administrada. Os franceses, nitidamente, se pouparam na primeira fase, quando fizeram apenas três gols em três partidas – 2 a 1 na Austrália, 1 a 0 no Peru e 0 a 0 com a Dinamarca (recheada de suplentes). O desempenho na fase de mata-mata foi o oposto, com 11 tentos e nenhuma vez na prorrogação. Os croatas cativaram o mundo com tanta luta e obstinação, mas o bi dos Bleus é mais que justo.

 

FICHA TÉCNICA

  • Placar: França 4 x 2 Croácia
  • Local: Estádio Luzhnikí, em Moscou (Rússia)
  • Data: 15 de julho de 2018
  • Árbitro: Néstor Pitana (Argentina)
  • Assistentes: Hernán Maidana e Juan Belatti (ambos da Argentina)
  • Cartões amarelos: Kanté e Hernández (França); Versaljko (Croácia)
  • França: Lloris; Pavard, Varane, Umtiti e Hernández; Kanté (N’Zonzi), Pogba, Mbappé, Griezmann e Matuidi (Tolisso); Giroud (Fekir) – Técnico: Didier Deschamps
  • Croácia: Subasic; Versaljko, Lovren, Vida e Strinic (Pjaca); Brozovic, Rakitic, Rebic (Kramaric), Modric e Perisic; Mandzukic – Técnico: Zlatko Dalic

 

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