Copa do Mundo Rússia 2018

Análise: o que explica as eliminações de Brasil, Uruguai, Suécia e Rússia nas quartas de final da Copa

Neymar
Foto: Matthew Ashton - AMA/Getty Images

Até então favorito ao título em todas as casas de apostas, Seleção Brasileira tem apagão no primeiro tempo, peca nas finalizações e sucumbe ao forte time da Bélgica

Agora, não dá mais para chorar o leite derramado. Essa deve ser a sensação das quatro seleções que ficaram pelo caminho nas quartas de final da Copa do Mundo de 2018. Claro que cada um tem uma história distinta de eliminação. Enquanto alguns lutaram até o fim, outros foram até os pênaltis, jogaram a toalha no decorrer do jogo ou mesmo entraram em campo “eliminados de véspera”. A realidade é que Brasil, Uruguai, Suécia e Rússia só podem pensar em uma nova tentativa em 2022. Por enquanto, fica a insônia, a reflexão e a tortura dos pensamentos de que o desfecho poderia ser diferente.

 

BRASIL, APAGÃO QUE CUSTOU CARO

Os torcedores brasileiros vão demorar a parar de lamentar a eliminação para a Bélgica, na última sexta-feira (06), pelo placar de 2 a 1 – gols de Fernandinho (contra) e Kevin De Bruyne, enquanto Renato Augusto diminuiu. A confiança sempre esteve do lado da Seleção, mas sofreu uma leve estremecida com o vacilante empate em 1 a 1 com a Suíça. Mas as coisas voltaram aos trilhos com os três triunfos consecutivos sobre Costa Rica, Sérvia e México.

O Brasil, é bem verdade, não brilhou neste Mundial, mas demonstrava consistência e opções interessantes no banco, o que dava dinâmica ao time. Tanto que a quase virada contra os belgas por pouco não aconteceu: obra das boas atuações de Renato Augusto – que marcou de cabeça, após cruzamento de Philippe Coutinho, capítulo à parte na história – e Douglas Costa, que foi a antítese do previsível e facilmente anulado Willian.

Mas o fator determinante para o fim do sonho do hexa, na Rússia, foi o apagão na primeira parte dos 45 minutos iniciais. O jogo transcorria de forma equilibrada, quando, em um escanteio, Fernandinho foi mal na bola e desviou com o braço contra o próprio gol. O infortúnio não chegou a desestabilizar o time de Tite, mas a necessidade de empatar logo abriu espaços muito bem explorados pelos Diabos Vermelhos.

Foi então que a ausência de Casemiro, que cumpriu suspensão, ficou evidente. Companheiro de Marcelo no Real Madrid, o meia já sabe como cobrir o colega, que tem como forte o apoio ao ataque. Mas o que aconteceu é que o lateral-esquerdo deixou uma avenida em seu setor. E em uma arrancada de Lukaku, uma situação que lembrou um pouco Maradona, nas oitavas de final da Copa de 1990: O atacante do Manchester United foi acompanhado por Paulinho, que demorou a dar o bote e mesmo assim errou. A bola chegou em ótimas condições para De Bruyne, que acertou um belo chute, indefensável para Alisson.

 

BRASIL MELHORA NO SEGUNDO TEMPO, MAS EMPATE NÃO CHEGA

Com tudo dando errado na etapa inicial, os 15 minutos de intervalo eram a esperança de Tite ajeitar as coisas. O primeiro a entrar foi Firmino, na vaga de Willian, mas o atacante do Liverpool também não estava no seu melhor dia. Em seguida, Paulinho, também irreconhecível, deu lugar a Renato Augusto, e Gabriel Jesus, um dos símbolos do fracasso do Brasil, foi substituído por Douglas Costa, que incendiou a equipe.

Mas e Neymar? Não se pode dizer que o craque do PSG se omitiu, mas também não foi decisivo. Buscou os dribles e chamou a responsabilidade, mas a sintonia com os companheiros estava péssima. Só que nenhum jogador melhor representa a eliminação para a Bélgica do que Coutinho. Nome da Seleção na primeira fase, o meia do Barcelona errou à exaustão. Seu único momento lúcido foi o cruzamento para o gol de Renato Augusto, que por pouco não empatou em seguida, sozinho, mas a bola caprichosamente saiu. O camisa 11, aos 38 minutos do segundo tempo, ainda perdeu uma chance claríssima de deixar tudo igual. Neymar foi nosso último suspiro, mas Curtois tirou com a ponta dos dedos.

Resumindo, o Brasil tentou, mas não entrou 100% concentrado e pulsante. Fica a lição de que, cada vez mais, será difícil ir longe em uma Copa do Mundo. As seleções até então médias encontram-se cada vez mais competitivas. Os principais nomes da geração atual todo Brasil têm idade para chegar em ótimas condições no Catar. Mas Tite precisa fazer um mea culpa de que a atualidade na convocação vale mais que a gratidão pela campanha. Afinal, Arthur e Luan, ambos do Grêmio, campeões da Libertadores no ano passado, fizeram falta, justamente, contra os belgas. Agora, fica para 2022.

 

ADEUS DO URUGUAI: FATOR CAVANI

O Uruguai foi valente e uma das gratas surpresas do Mundial ao despontar, durante a campanha, como um dos favoritos ao título. Mas quando Edinson Cavani saiu mancando do confronto contra Portugal, muitos sabiam que, sem o artilheiro do PSG, as coisas ficariam muito difíceis para a Celeste. A parte triste da história é que Cavani saiu de cena logo após sua melhor atuação – os dois gols que determinaram a classificação contra o selecionado de Cristiano Ronaldo.

No duelo contra a França, os Bleus, que contam com os inspirados e insinuantes Mbappé e Griezmann, controlaram bem as ações e abriram o placar com o zagueiro Varane. Os uruguaios foram valentes do início ao fim, mas não conseguiam exercer pressão sobre os franceses. Por fim, Muslera colaborou com um frangaço. A partir dali, era o fim da linha. Mas os sul-americanos chegarão ainda mais fortes em 2022, desde que a dupla Suárez-Cavani aguente firme daqui a quatro anos.

 

SUÉCIA E A INCAPACIDADE DE SURPREENDER

O jogo de quartas de final que teve maior desequilíbrio foi entre Inglaterra e Suécia. Os nórdicos fizeram campanha que merece muito reconhecimento, desde as barreiras transpostas nas Eliminatórias, quando deixaram Holanda e Itália para trás. Mas o English Team dominou do início ao fim com sua garotada que já é realidade. Com um gol em cada tempo, os ingleses foram implacáveis com a vitória por 2 a 0 e, assim, passam a ser fortes candidatos a alcançar a decisão.

A equipe de Gareth Southgate tem evoluído na hora certa. Além do artilheiro da Copa, Harry Kane, fique de olho nos ótimos Henderson, Maguire (autor do primeiro gol), Lingard, Dele Alli (que fez o segundo de cabeça) e do goleirão Pickford, homem das penalidades contra a Colômbia e que parou as principais investidas dos escandinavos.

 

RÚSSIA: DONOS DA FESTA PASSAM A SER SÓ ESPECTADORES

Mais uma vez, os russos levarem a torcida a acreditar piamente no que parecia impossível. Por pouco, os anfitriões não igualaram o feito da seleção da extinta União Soviética, que chegou à semifinal em 1966. A sorte parecia sorrir mais uma vez, quando Cheryshev abriu o marcador com um golaço – sério candidato a mais bonito da Copa.

Sempre eficientes, os croatas empataram ainda nos 45 minutos iniciais, com Kramaric. No segundo tempo, Perisic não desempatou por muito pouco. No entanto, a bola bateu na trave e correu pela linha sem caprichosamente ultrapassar o lado de dentro da meta. Com maior volume do representante dos Bálcãs, o confronto terminou em 1 a 1.

Mas no tempo extra, Vida virou para a Croácia. Parecia o fim do sonho russo. No entanto, foi aí que um brasileiro renovou as esperanças da torcida local. Perto do fim do segundo tempo da prorrogação, Dzagoev cobrou falta com perfeição na cabeça do brasileiro Mario Fernandes, que não desperdiçou, para a catarse dos russos nas arquibancadas. Apito final e pênalits. Porém, justamente o ex-gremista errou sua cobrança, assim como Smolov. Como só Kovacic perdeu, a Croácia chegou à semifinal pela segunda vez em 20 anos.

Verdade seja dita, a Rússia foi bem além das expectativas. Palmas para os jogadores e o técnico Stanislav Cherchesov, mas os croatas são superiores e mereceram a classificação.

 

Jogos das semifinais da Copa do Mundo 2018

Terça-feira, 10 de julho

  • 15:00 – França x  Bélgica

Quarta-feira, 11 de julho

  • 15:00 – Croácia x Inglaterra

 

Comentários

Clique para comentar

Deixe seu comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.