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Paixão Nacional: O fim do Mito?

O que parecia impossível aconteceu: Rogério Ceni, um dos maiores ídolos da história do São Paulo, foi demitido ontem, através de uma nota oficial no site do clube. O Mito foi a mais nova vítima da “máquina de mastigar treinadores” que virou o ambiente tricolor desde 2012 – ano de sua última conquista de peso, a Copa Sul-Americana. De lá pra cá, a bagunça política do clube contaminou o ambiente do futebol e nada mais, nada menos, do que 11 treinadores pagaram o pato (menos Bauza, que pagou o “Patón” – tu-dum-tissss).

Ceni, o ídolo que o sãopaulino aprendeu a amar e que todos os torcedores dos outros times amam odiar, foi a bola da vez. Içado ao posto de treinador numa jogada política, um ano após a sua aposentadoria como goleiro, o Mito chegou ao clube com uma proposta de jogo moderna e inteligente – e que deu resultados no começo. Mas o ambiente “deteriorado” que se instalou nos bastidores do clube (alguém aí disse “prancheta”?), sua fixação por números que mostravam desempenho, mas não resultados e a grande liquidação tricolor – que segue batendo recordes de faturamento com vendas de jogadores no atacado e varejo –, prejudicaram os ambiciosos planos do inexperiente técnico que se preparou com um time durante a pré-temporada e a Florida Cup e no domingo, pela 11ª rodada do Campeonato Brasileiro, se viu obrigado a escalar outro completamente diferente porque seis jogadores do grupo do início do ano, foram vendidos – alguns, como Maicon, precisavam ir mesmo.

Apostando suas fichas em nomes como Lugano (outra contratação política), no agora execrado, Lucão – atual detentor do cinturão de Mestre Supremo de Toda Lambança – e terminando com  a precipitada estréia de Petros no último domingo (nem vamos entrar aqui no mérito da saída do auxiliar Michael Beale), Rogério colecionou resultados ruins. Leva toda a culpa como é da tradição do futebol brasileiro, mas não é o único responsável – ainda mais se levarmos em consideração que o São Paulo segue contratando jogadores, num claro sinal de que o time, o material com o qual o técnico pode trabalhar, não está montado.

Piadas à parte, Ceni foi vítima da inexperiência e de sua ambição. Um ano é pouco tempo para se tornar um técnico de ponta. Outros ídolos do futebol que se tornaram grandes técnicos (Guardiola, Zidane) começaram por baixo. A ambição do Mito o fez começar pelo topo, buscando fazer história no seu amado São Paulo também como técnico. Não deu.

Se tivesse sido mantido no cargo, Ceni muito provavelmente tiraria o São Paulo do Z-4. Depois do clássico contra o Santos na próxima rodada do Brasileirão, a tabela é mais “gentil” com o tricolor, que deverá voltar a somar pontos.

Mas prevaleceu o imediatismo. Pior para os cartolas tricolores que ao invés de bancarem o técnico (que eles escolheram) e cobrarem resultados e desempenho – como em qualquer ambiente de trabalho sadio –, optaram pela saída mais fácil e agora perdem seu maior escudo (ou alguém aí tem dúvidas de que, não fosse Rogério Ceni no banco de reservas, a pressão pra cima do time e da diretoria estaria insuportável desde a semi-final do Campeonato Paulista?).

Sua carreira como técnico daqui pra frente é uma incógnita. Pessoalmente, não o vejo treinando outras esquipes no Brasil dada sua identificação com o tricolor (coisa que ele nunca fez questão de esconder). Talvez no exterior – China ou México, quem sabe? Mas, como bem disse Juca Kfouri ontem, dia 3, no Linha de Passe da ESPN – e com o qual eu concordo – não será surpresa se Rogério Ceni ressurgir, em breve, nos bastidores do São Paulo como líder da oposição e alcançar seu objetivo depois de ser técnico: a presidência do clube.

Vamos ficar de olho.

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