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Era do “Big Three” é boa para a NBA?

Foto: AP Photo/Michael Dwyer, File

Em 2008, o Boston Celtics mostrou que era possível ir do segundo pior time da NBA para o melhor. Bastava apenas formar uma equipe em volta de 3 grandes jogadores. Paul Pierce não aguentava mais perder, e os anos de glória da equipe mais vencedora da história da NBA pareciam uma memória distante.

O time precisava de mudanças radicais.  Danny Ainge trocou metade do elenco para adquirir Kevin Garnett do Minnesota e sacrificou uma escolha de draft para trazer Ray Allen à bordo. Voilà! Nascia a era do “Big Three”.  Nascia um novo modelo de negócio.

Os Celtics foram de 24 vitórias em 2007 (segunda pior marca da NBA) para o título no ano seguinte. Foram 66 vitórias na temporada regular.

Jogadores bons atraem jogadores bons: isso ficou claro com o novo Boston Celtics.  KG só abriu mão de sua situação em Minnesota depois da contratação de  Allen.

Com a formação do “Big Three”, outros atletas como Eddie House e James Posey rapidamente assinaram com os Celtics. General managers e jogadores perceberam que era possível vencer títulos com um grande trio.

Depois de perder duas vezes nos playoffs para o Boston, Lebron James arrumou as malas e “levou seus talentos para South Beach.”  Chris Bosh deixou o frio de Toronto e também foi para o Heat.

O novo trio de Dwayne Wade, James e Bosh dominou a Conferência Leste por quatro anos e ganhou dois títulos.

Em 2011, Chris Paul abandonou os Hornets para tentar vencer com Deandre Jordan e Blake Griffin em Los Angeles. Isso acabou não resultando em título, mas mudou completamente o rumo de uma das franquias mais irrelevantes da história da NBA. O que os Clippers ganharam com o marketing envolvendo o “Lob City” é impressionante.

Em 2014, Lebron James decidiu voltar para Cleveland. Isso chamou a atenção de Kevin Love, que acabou se juntando a James e Kyrie Irving nos Cavaliers.

O time foi de 24 vitórias em 2013 para as Finais da NBA no ano seguinte.

Finalmente, no ano passado, Kevin Durant abalou as estruturas da liga com sua decisão de sair do Thunder para se juntar a Steph Curry e sua grande equipe em Golden State. Foi mais um exemplo de como jogadores não estão nem aí em vencer pela equipe que os draftaram. Há pouca lealdade, e isso ameaça o equilíbrio competitivo da liga. Depois do domínio dos Warriors nas Finais, temos tido um frenesi de rumores de grandes jogadores querendo sair de suas equipes.

Paul George nos Cavaliers? Paul George nos Celtics (mas só se eles adquirirem Gordon Hayward)? Carmelo Anthony nos Cavaliers? Blake Griffin quer ir embora de L.A.? Já deu para o Hayward em Utah?

O primeiro dominó caiu na quarta-feira. Os Rockets adquiriram Chris Paul em uma troca com os Clippers para fazer parceria com James Harden. Agora se fala que Houston tem mais chances de também adquirir Paul George, que não vê a hora de sair de Indiana.

Como eu disse, bons jogadores recrutam outros grandes jogadores.  Acabou a era de um querer vencer o outro. Hoje eles querem se juntar.

Pense por um segundo.  Quantas equipes têm chances reais de ameaçar os Warriors no ano que vem? Houston? Boston (se pegar George e/ou Hayward)? Cleveland? Nenhuma?

E outra, times como os Bulls e Pacers, vendo que não têm qualquer chance de vencer, estão pensando em liquidar — ou já estão liquidando — seus ativos mais preciosos a preço de banana. Já falamos do George, mas a troca de Jimmy Butler para os Timberwolves foi lamentável.

Se essa tendência continuar, é possível que tenhamos três ou quatro super times e 26 ou 27 equipes medíocres na NBA.

É tudo que a liga NÃO quer.

 

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