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…E Isaiah Thomas venceu a morte!

Foto: Maddie Meyer/Getty Images

Como a coragem da estrela dos Celtics diante da tragédia virou um exemplo para todos nós.

Isaiah Thomas foi… Isaiah Thomas mais uma vez na abertura dos playoffs da NBA. Ou melhor: foi um novo Isaiah Thomas. Porque a cada dia nascemos e morremos, morremos e nascemos, ganhamos e perdemos, perdemos e ganhamos.

Ganhar”. O verbo tão repetido nas páginas do dicionário da vida do astro dos Celtics foi tragicamente interrompido em plena manhã de domingo. Foi na concentração para o jogo contra os Bulls que ele soube da morte da irmã caçula, Chyna, de 22 anos, vítima de um absurdo acidente de carro.

(Mas não é um absurdo, um milagre mesmo, que a gente esteja vivo e saudável para ler este texto agora?)

O baque sofrido por Isaiah foi o mesmo de qualquer ser humano – e nós, que amamos esporte, jamais deveríamos esquecer que esses atletas fantásticos, de habilidades tão especiais, são, no fundo, seres humanos como eu e você.

Seres humanos como Isaiah e como Chyna, sua irmã. Tanto podemos encantar para sempre como podemos desaparecer em um instante.

O estado de choque, claro, foi logo espalhado para seus colegas do Celtics e para o treinador, Brad Stevens, de apenas 40 anos, que fez o que qualquer pessoa sensível faria nesta hora:

— Isaiah, se você quiser, não jogue.

Pois Isaiah Thomas jogou toda sua dor para um lugar onde só ele sabe e foi para a quadra. Chorando e fazendo chorar. Sua imagem em lágrimas durante o aquecimento, abraçado por Avery Bradley, já está entre as mais tocantes da história da NBA.

 

O choro, claro, banhou o rosto de Isaiah e de toda a Boston até a bola subir. Sabendo do seu drama familiar – e quem não sabe de tudo hoje em dia, com o mundo na palma da mão? –, a torcida dos Celtics deixou todo o seu coração a cada vez que o baixinho pegava na bola.

O TD Garden parecia a Bombonera. O chão saía do lugar a cada cesta de Isaiah Thomas.

E elas foram muitas. A cada salto, a cada cesta, as TVs mostravam o que ele escreveu nos tênis: “Chyna, I Love You, 15.4.17”.

A coragem de Isaiah em atuar e fazer valer o sonho da sua vida sinuosa – em deixar para trás tudo o que machuca, todo o desprezo, toda a ironia, toda a desconfiança com seu 1,73 metro, todos os anos de muito banco de reservas antes de ser “A” estrela dos Celtics e da NBA – foram, da maneira mais brilhante, reconhecidos e aplaudidos pelo mundo todo.

Isaiah converteu sua dor em 33 pontos convertidos. Foi incrível. Foi o cestinha do jogo.

Mesmo assim, o Boston sucumbiu frente ao Chicago, que reverteu o mando de quadra e ganhou por 106×102. O jogo foi parelho e chegou empatado ao último quarto.

Compreensível que o desgaste emocional pedisse a conta depois de tanto esforço.

O resultado nesses casos vira uma mera nota de rodapé. Placares parecem números perdidos em uma lista telefônica quando algo muito maior é posto em jogo. E este algo maior Isaiah deixou bem claro na última noite: cada um de nós tem forças para superar e transformar até mesmo os piores momentos das nossas vidas.

The show must go on, dear Isaiah.

 

Em 24 segundos…

Cavs e Pacers voltam nesta segunda às 20h à Quickens Loans Arena para a partida 2 do playoff. O susto do Cleveland ao vencer por apenas um ponto na tarde de sábado já foi assimilado. Não tenhamos memória curta: eles não são os atuais campeões à toa.

E como Kyrie Irving está jogando bem!

Com ele e LeBron em quadra motivado como um garoto, como vimos no sábado, não tem para os Pacers – nem em Cleveland e nem em Indiana. Segunda-feira, segunda vitória dos Cavs na série.

…O outro jogo desta segunda, às 22h30, entre San Antonio Spurs e Memphis Grizzlies, em San Antonio, também tem um 2×0 como destino.

Os Spurs ganharam fácil a primeira partida, 111×87, mas o time mostra uma fragilidade crônica nesta temporada: o começo lento. Mesmo em playoff, onde as atenções são redobradas, os Spurs só acordaram depois de uns bons berros de Gregg Popovich. Tomou um grande susto quem viu só o primeiro quarto no sábado – e o 30×25 para os Grizzlies, que chegaram a abrir 13 pontos de frente. Mas não há susto que vire ironia quando o “chinesinho” Kawhi Leonard está em quadra. Olho nele para o MVP dos playoffs.

 

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