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Dez anos depois de seu fim, o Pride ainda faz falta para o mundo do MMA

Foto: Tomokazu Tazawa/Getty Images

Neste sábado, 8 de abril de 2017, todas as atenções do mundo das lutas estarão voltadas para a realização do UFC 210, direto de Bufallo, Nova York (EUA). Mas dez anos atrás, outro evento disputava o carinho do público com Ultimate: o Pride. Embora longe de seus tempos áureos, o evento sempre foi expressivo, reuniu grandes nomes do MMA e cativou fãs a redor do mundo. Uma década depois, o que resta é saudade. O Pride 34 – Kamikaze, realizado no dia 8 de abril de 2007, foi o último evento da organização japonesa que meses depois seria comprada pelo Ultimate.

A compra pelo UFC foi por puro monopólio. Não foi criado um evento sob nova direção e nem qualquer tipo de continuidade ao trabalho que remetesse àquele feito pelo Pride durante quase dez anos. Após a venda, os antigos donos criaram o Dream, que tinha certa semelhança com o Pride, mas longe de saciar a saudade dos fãs.

Dez anos depois, é bom se perguntar: alguém tem saudade do Pride? É complicado responder isso. Poucas pessoas consumiram a essência daquele evento em sua plenitude, já que há dez anos atrás a vida era outra, os compromissos outros e muita gente, como no meu caso, vivia o fim da adolescência e se envolvia com o MMA apenas de forma fanática, sem estudar, apreciar e entender o poder daquele evento.

O Pride fez parte do início da minha relação com o MMA. Para ser mais preciso, a primeira luta de MMA (vale-tudo, na verdade) que assisti foi lá. Nas reprises do canal Combate, que varavam as madrugadas de sábado para domingo, uma luta do brasileiro Pelé (não era o do futebol) contra um rival que não me recordo prendeu minha atenção. E talvez o que me chamou a atenção foi uma das principais particularidades do Pride: a regras (ou falta delas) que resultavam confrontos mais violentos. Tiros de meta (chute na cabeça com rival no chão), pisões voadora, arremessos de cima para baixo entre tantos outros golpes incendiavam o público ao redor do mundo. Até os japoneses, que tem por cultura assistir os eventos na arena de forma respeitosa e silenciosa muitas vezes não se continham diante do espetáculo protagonizado pelos pioneiros da modalidade.

O Pride hoje seria sucesso? Talvez não. Sempre defendo que a imposição das regras corretas contribuiu para o crescimento e desenvolvimento da popularidade daquilo que era vale-tudo e hoje é MMA. Talvez um ajustes nas regras já seria o suficiente. Um ringue é diferente de um octógono. Nem melhor e nem pior. Apenas diferente.

Dez anos depois, o Pride deixou saudades. Inúmeros ícones do mundo das lutas “nasceram” lá. Anderson Silva, Fedor Emelianenko, Rodrigo Minotauro, Wanderlei Silva, Rampage Jackson, Mirko Crocop, Mauricio Shogun e tantos outros. Alguns ainda estão em atividade. Outros, já se aposentaram. Alguns até já faleceram. Mas o que aconteceu naquele ringue durante nove anos é inesquecível.

O principal é que se o Pride ainda existisse, o MMA teria muito a ganhar. Nada melhor do que uma grande concorrência para melhorar a oferta ao consumidor. Não que o UFC deixe a desejar em relação ao que oferece aos seus fãs. Mas o fato de ser (de longe) a maior potência no ramo nos deixa na dúvida. E se houvesse um concorrente? Ao menos o Pride saciaria um estilo “mais raíz” de luta diante dos novos tempos do mundo das lutas.

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