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Demian Maia e a chance pelo cinturão do UFC

Foto: Steve Marcus/Getty Images

A discussão sobre qual é a categoria mais competitiva do UFC é antiga. Dependendo da época, sempre haverá um argumento para apontar determinada divisão como a mais difícil, com os lutadores mais talentosos, perigosos e tudo mais. Mas se você acompanha MMA há alguns anos certamente sabe que a categoria dos meio-médios (até 77kg) sempre está na discussão. Desde que Georges Saint Pierre abriu mão de seu domínio e abdicou do cinturão do peso, em dezembro de 2013, três campeões diferentes foram coroados e ao todo seis atletas tiveram uma chance pelo título. Por que estou citando isso? Porque existe um brasileiro que merece (e muito) sua chance e ainda é obrigado a lidar com incertezas mesmo após seis (!) vitórias consecutivas na divisão. O nome dele é Demian Maia.

O brasileiro (3º no ranking da divisão) teve prometida uma chance pelo cinturão após o UFC 205, em novembro passado. Segundo o lutador, após o empate entre Tyron Woodley e Stephen Thompson, o presidente do UFC lhe deu a opção de esperar, caso não quisesse enfrentar nenhum adversário nesse período. A novidade é que Jorge Masvidal (5º no ranking) atropelou Donald Cerrone no último sábado e empolgou muita gente, o que fez a organização oferecer um duelo com o americano ao brasileiro. Demian, claro, recusou. a revanche entre Woodley e Thompson acontece no dia 4 de março, pelo UFC 209. É uma espera de um mês. É claro que o brasileiro vai esperar. Muita coisa pode acontecer nesse tempo, mas ele fez o certo.

Aos 39, Demian sabe que uma vez conquistada a posição de desafiante não seria o movimento mais inteligente arriscar isso. Não foi fácil emplacar seis triunfos consecutivos na divisão, então isso merece ser valorizado.

Demian era atleta dos médios (até 85kg) e já até disputou o cinturão da categoria, em abril de 2010. Perdeu. Depois, fez mais mais cinco lutas na categoria. Venceu três e perdeu duas até que em janeiro de 2012 se despediu do peso com uma derrota para o então futuro campeão Chris Weidman. Dali em diante, ele desceu para os meio-médios e venceu nove de 11 lutas. São seis triunfos em sequência contra atletas de alto nível. Alexander Yakovlev, Ryan LaFlare, Neil Magny, Gunnar Nelson, Matt Brown e Carlos Condit foram as vítimas do brasileiro. Detalhe: Magny, Brown e Condit foram finalizados pelo paulista.

O argumento de que Demian não é um lutador muito popular no mundo é válido, mas não sustenta a possibilidade de alguém passar sua frente. Acho que ele conseguiu equilibrar essa conta com os feitos dentro do octógono. Existem três nomes que poderiam atrapalhá-lo devido ao apelo do entretenimento em tempos que tais aspectos falam mais alto que a esportividade, mas no momento estão longe disso: Georges Saint Pierre, Conor McGregor e Nick Diaz. O primeiro parece longe de entrar em um acordo com o UFC para voltar a lutar; o segundo tem grandes chances, mas se Nurmagomedov se tornar o campeão interino dos leves um duelo Irlanda Vs Rússia pelo título absoluto dos leves me parece altamente vendável. Isso tiraria o foco do irlandês do sonhado terceiro cinturão. Por último, quando se fala em Diaz, o futuro é sempre uma incógnita.

Seja qual for o futuro de Demian Maia, o brasileiro não pode ser julgado por valorizar o que tem. Ele não vai, não deve e nem pode esperar para sempre. Do jeito que as coisas estão alinhadas, me parece uma decisão justa a do brasileiro.

 

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