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Os injustiçados pelo UFC

Foto: Michael Reaves/Getty Images

Enquanto poucos têm muitos privilégios, muitos sofrem com a falta daquilo que é justo. Nem mais e nem menos do que merecem. O justo é o justo.

Na contramão de nomes como Conor McGregor, Michael Bisping e Dominick Cruz existem nomes como Khabib Numagomedov, José Aldo, Tony Ferguson, Max Holloway, Ronaldo Jacaré, Demian Maia e tantos outros. O primeiro grupo é merecedor de oportunidades no UFC que sempre são mais urgentes do que esperar o sinal de reconhecimento que cabe aos outros. No segundo grupo, todos os nomes citados merecem uma chance pelo cinturão de suas respectivas categorias, mas estão presos em uma geladeira onde é preciso trabalhar a criatividade e a capacidade de se motivar para seguir em frente sem ter o que conquistaram por direito. Ah, uma dose de paciência vai bem!

Os casos já são conhecidos. Enquanto atletas tops atropelam rivais e somam sequências positivas que chegam a nove vitórias consecutivas, como no caso de Tony Ferguson (pela categoria dos leves) e Max Holloway (penas), astros do evento escolhem a dedo seus próximos rivais em busca de maior retorno financeiro. Hoje em dia, não basta ser um atleta bem ranqueado ou bater a maioria dos rivais de sua divisão. Você precisa ser “o pacote completo”. Reunir talento, resultados e popularidade. Uma disputa de cinturão precisa de apelo, ou vai acabar ofuscada por algum duelo mais intrigante.

Nesta semana, Khabib Nurmagomedov soltou o verbo. O russo, que sustenta um cartel perfeito de 24 vitórias em 24 lutas (!), aguarda sua chance de disputar o cinturão dos leves. Ele chegou a receber um contrato falso do Ultimate como estratégia de negociação da franquia contra Conor McGregor e Eddie Alvarez antes do UFC 205. O russo já chegou em seu limite e soltou o verbo. Depois de passar dois anos parado, ele voltou a lutar em abril, venceu, e também superou Michael Johnson, em Nova York. O que falta para sua chance pelo título acontecer? Conor e o UFC desejarem isso. E não é o que parece. Após bater Alvarez, McGregor fez suspense e criticou a falta de atividade do russo. O UFC defende um descanso para Conor até a metade de 2017. Até lá…

E haja mais paciência. Nurmagomedov chegou a dizer que se não disputasse o cinturão dos leves em sua próxima luta, ele sairia do UFC. Mas já voltou atrás, admitindo um duelo com Tony Ferguson na divisão. Algo parecido aconteceu com José Aldo, que anunciou sua aposentadoria e parece ter repensado a questão após ver que não conseguiria se livrar do contrato com a organização. Segundo seu treinador, ele pode enfrentar o vencedor de Max Holloway Vs. Anthony Pettis, no inicio do próximo ano. Demian Maia está na cara do gol nos meio-médios, mas não se nega a esperar mais pela chance e quem sabe enfrentar outros desafios. Ronaldo Jacaré perdeu a chance de encarar Luke Rockhold, ficou para trás e tem de aceitar a luta entre Bisping e Yoel Romero. E por aí vai…

Aos poucos, os “injustiçados” começam a agir diferente. Por duas explicações possíveis. A primeira é que chega um momento que não adianta mais bater a cabeça na parede, reclamar e chorar o leite derramado. É hora de seguir em frente e todo mundo precisa lutar para pagar as contas em casa. A segunda hipótese é que talvez eles estejam entendendo o quanto o jogo mudou. Que tal parar de reclamar e enfrentar os desafios que colocarem na sua frente? É hora de entrar no jogo, lutar, ganhar e fazer barulho. E por fazer barulho me refiro a desafiar, provocar, promover e sacudir o coração do público. É ele quem manda! Não é preciso desrespeitar ninguém para conseguir as coisas no UFC. Mas sair da zona de conforto e mudar a postura muitas vezes é a solução para se enquadrar em uma empresa em movimento. Se dentro do octógono é importante um lutador dominar diversas artes marciais, por que fora dele não é possível expandir suas habilidades também?

A vida segue, o show continua e parar de lutar é a pior ideia possível. Muitos merecem (pra ontem) a chance pelo cinturão, mas os novos tempos chegaram e quem não dançar conforme a música vai ficar para trás. Ainda há tempo!

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