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O MMA precisa mais de Ronda do que Ronda precisa do MMA

Desde que perdeu por nocaute para Holly Holm, em novembro passado, Ronda Rousey sumiu. Para ser mais justo, ela não chegou a sumir. O que acontece é que diante de sua forte exposição, muito bem trabalhada por sua equipe de agenciamento e, claro, pelo UFC — não só no mundo das lutas —, a abstinência pela qual seus fãs estão passando dá um tom de “sumiço”. Isso gera uma pergunta até então sem resposta: Ronda um dia voltará a lutar?

O presidente do UFC Dana White já declarou inúmeras vezes que seu retorno irá acontecer. Talvez até o fim de 2016, talvez em novembro, no UFC 205, em Nova York, talvez só em 2017… Talvez. A pergunta é feita desde os minutos seguintes à queda da estrela do UFC até hoje. A única pessoa que pode responder isso? Ronda Rousey, claro.

A questão é que Ronda já demonstrou diversas vezes ter uma veia emocional turbulenta e incontrolável e, além de superar a barreira psicológica que provavelmente está diante de si, ela precisa pensar bem antes de voltar. Não é uma decisão tão fácil. Ela certamente quer recuperar seu título, dar a volta por cima e, claro, se vingar de Holly Holm no futuro. Com ou sem cinturão em jogo. A questão é: ela precisa disso?

Ronda Rousey já tem um legado consolidado. Ela foi a principal responsável por tornar o MMA feminino uma realidade no UFC, e assim expandir o sucesso para outros eventos. Campeã dominante que foi por quatro anos, entre Strikeforce e UFC, Ronda fez história com finalizações e nocautes relâmpagos. Chamou a atenção de lutadores, atores, músicos, políticos, críticos e muitos outros.O casamento de beleza e fúria desempenhados dentro do octógono transcendeu ao MMA. Não é à toa que rapidamente ela se tornou o maior nome do Ultimate nos últimos tempos. Bateu recordes de vendas de pay-per-view e alcançou um público novo, fora do mundo das lutas. Comerciais, games, sessões de fotos, atuações no cinema americano… Antes que se pense que o foco desta coluna tenha sido esquecido, vale lembrar que todo esse sucesso alcançado por Rousey significa uma coisa: hoje, o MMA precisa muito mais de Ronda Rousey do que ela precisa do MMA.

Sem Ronda, falta uma personalidade forte feminina no mundo das lutas capaz de levantar essa bandeira com maestria. Existem nomes fortes, como o de Cris Cyborg, Joanna Jedrzejczyk e Miesha Tate, mas nenhuma delas reúne o “pacote” que Ronda tem. Carismática, versátil, talentosa e comunicativa. Isso faz a diferença na hora de promover o esporte.

Aos 29 anos, Ronda está rica. Ela interrompeu uma corrida — e não caminhada — rumo ao sucesso. Seu empenho cumprindo (com louvor, diga-se) compromissos com a mídia rendeu frutos. Jovem, bonita e com inúmeras opções à mesa. Se resolver parar, ela pode viver como modelo, atriz, apresentadora, treinadora… O único motivo que pode fazê-la voltar a lutar é a esportividade que tem dentro de si. Dinheiro ela não precisa mais. E o que ela pode ganhar com outros empregos é mais que o MMA pode lhe dar. Acredite.

Mesmo diante de todo o cenário desfavorável para aqueles que querem vê-la de volta, há esperança. Muita. A mesma veia emocional que a fez “sumir” do mundo e tornar sua volta quase uma lenda, pode soprar a favor. Atleta desde a juventude, quando tornou-se judoca, Ronda é competitiva. Por mais que não precise, que tenha status de “missão cumprida” no mundo das lutas, ela pode voltar a lutar por simples instinto. Seja a motivação a recuperação do cinturão do UFC, que por tanto tempo acompanhou seu brilho, ou até simplesmente a busca pela revanche.

Por que a demora para tomar a decisão? Ela merece descanso. No UFC, foram sete lutas em 32 meses. Média de uma luta a cada pouco mais de quatro meses. Fora isso, uma participação no The Ultimate Fighter, infinitos compromissos com a mídia e um trabalho árduo de promoção para o UFC como poucos teriam capacidade de lidar da forma como ela o fez. Fora isso, a derrota da forma que foi, com domínio predominante na parte em pé de Holly Holm, aponta sua necessidade de melhorar na trocação, já que o chão é sua especialidade.

Não se surpreenda se muito em breve for revelado: enquanto Ronda Rousey descansa a mente, ela trabalha o corpo.

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