Humor

Paixão Nacional: Provocações

Assim como as listras de uma zebra ou as pintas de uma onça, a falta de auto-controle, juízo e auto-crítica de Neymar nunca mudam. O jogador – que mais uma vez foi muito bem em campo, com a bola nos pés, apesar do cartão amarelo que recebeu por conta de uma falta no campo de ataque – foi o destaque negativo após a derrota (ridícula) do milionário Paris Saint Germain para o Rennes na decisão da Copa da França. Para quem não viu, o PSG saiu na frente, abriu uma vantagem de 2 a 0 – gols de Neymar e Daniel Alves com assistência do camisa 10 da seleção brasileira –, tomou o empate, perdeu M’Bappé, expulso, e na decisão por pênaltis após a prorrogação, ficou com o vice-campeonato. Muito pouco para um time com o orçamento que o PSG tem.

E este teria sido o foco em relação ao time após o fracasso na Copa da França se Neymar, o menino Ney, não fizesse das suas novamente. Passando pelo meio da torcida, os atletas do PSG dirigiam-se à tribuna do Stade de France. O torcedor do Rennes, identificado como Edouard, provocou os vice-campeões que passavam à sua frente. Segundo reportagem do Globo Esporte, o torcedor (do Nantes e amigo de um jogador do Rennes) chamou Verratti de racista, Buffon de “bouffon” (bobo em francês) e mandou Neymar “aprender a jogar bola”. Neste momento, o menino Ney, tão mimado desde os primeiros brilhos com a bola, desferiu um soco contra Edouard – coisa que Verratti e Buffon não fizeram.

Merecidamente, as pedras voaram de todos os lados em cima do Menino da Vila. Claro que o torcedor provocou – mas isso é o que torcedores fazem em estádios. Neymar falar nas redes sociais que assume o erro mas reforçar que “ninguém tem sangue de barata” não ajuda em absolutamente nada (vamos lembrar que Buffon deixou o sujeito falando sozinho). Ajuda menos ainda posar de “líder” após “abandonar” a equipe para tratar de lesão no carnaval carioca e dizer em entrevista que os jovens precisam ouvir mais como ele mesmo ouviu quando chegou aos profissionais – isso dito pelo mesmo Neymar que, no início da carreira profissional, xingou Dorival Júnior e Edu Dracena de tudo quanto foi nome quando o técnico disse que não seria ele, o menino Ney, que cobraria um pênalti contra o Atlético-GO em setembro de 2010. A história terminou com a demissão de Dorival Júnior pouco depois.

O técnico do PSG, Thomas Tuchel, não gostou de ver o astro do time colocar gasolina na fogueira que arde nos vestiários parisienses e o desfecho da explosão provocada pelo soco impensado de Neymar é imprevisível.

O torcedor – certo ou errado – fez o que torcedores fazem. O atleta, por outro lado, fez o que não poderia jamais fazer. O tempo dará a dimensão do estrago do mais novo destempero no menino sem limites.