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Tradição x modernização: quem ganha com o novo formato da Copa Davis?

Foto: Jean Catuffe/Getty Images

Carente do interesse por parte dos tenistas de elite e buscando por melhor retorno financeiro, competição entre países passará por transformação radical visando volta das feras; será que vai dar certo?

Se você é daqueles apaixonados por Copa Davis e por tudo o que envolve a competição, como a pressão da torcida durante os jogos, os ralis em três dias de duração a cada fase e as escolhas de pisos e cidades-sede, é bom se preparar para ver pelo último ano o tradicional torneio entre nações. Não, o torneio iniciado em 1900 não deixará de desistir, mas o que está a caminho é uma transformação radical em seu formato, que parecerá mais como uma Copa do Mundo de Futebol. A proposta, que ainda precisará ser aprovada em Reunião Geral Anual da Federação Internacional de Tênis (ITF) marcada para agosto, é encabeçada pelo jogador do Barcelona Gerard Piqué, presidente do fundo de investimentos Kosmos e que irá injetar US$ 3 bilhões para produzir o evento nos próximos 25 anos. Confira os principais pontos desta ousada, para muitos, e furada, para outros, (in) evolução da Copa Davis.

 

O novo formato

O que estará em pauta na reunião que será realizada em agosto, em Orlando, é uma nova Copa Davis com 18 países. A Copa do Mundo de Tênis seria disputada no período de uma semana, no mês de novembro de cada ano – uma semana após o ATP Finals, torneio que reúne os oito melhores da temporada -, por 16 seleções que já pertencem ao Grupo Mundial e duas a serem definidas. Se for aprovado – são necessários dois terços dos votos para a concretização da mudança -, o novo formato já valeria para 2019.

Ao contrário do que estamos acostumados, com partidas realizadas em cinco sets e até cinco confrontos – quatro de simples e um de duplas – durante os embates entre duas nações, a nova competição seria realizada em apenas três sets e com apenas três embates – dois em simples e um em duplas.

A Copa do Mundo de Tênis teria em sua fase inicial seis grupos com três equipes cada. Os primeiros colocados de cada chave e os dois melhores segundos colocados no geral avançariam as quartas de final. Os dois países sobreviventes do mata-mata disputariam a final.

 

E o Brasil?

Ainda fora do Grupo Mundial, o Brasil seguirá no Zonal Americano até se classificar para a elite. Em relação aos Zonais, a ITF manteve o formato, com cinco jogos em dois dias e em melhor de três sets. Eles continuarão sendo disputados ao longo da temporada, nas datas reservadas – fevereiro, abril e setembro – à Copa Davis.

A cada ano oito países cairão para os Zonais e outros oito serão repostos através dos playoffs, que serão disputados na mesma semana da “Copa do Mundo”.

 

O que e quem está por trás

A ousada proposta da ITF passa pela forte injeção de dinheiro do fundo Kosmos, que é liderado por Gerard Piqué e tem como importante apoiador Hiroshi Mikitani, CEO da Rakuten, empresa japonesa do ramo de e-commerce, e principal patrocinador do clube defendido pelo jogador catalão.

Com o investimento de US$ 3 bilhões, a federação espera aumentar consideravelmente as premiações dos jogadores, aumentando a competividade dentro de quadra e atraindo o público, além de melhorar o desenvolvimento do tênis em todo o mundo.

Mas, nas entrelinhas, o que é discutido é a tentativa de salvar a imagem da Copa Davis, que ficou arranhada pela falta de grandes nomes do tênis mundial nos últimos anos. O Big Four, que é formado por Roger Federer (campeão em 2014), Rafael Nadal (2004, 2008, 2009 e 2011), Novak Djokovic (2010) e Andy Murray (2015), já ganhou a competição em outras oportunidades e há tempos não a priorizam. Com um formato curto e rentável, a nova Copa Davis pode reconquistar os jogadores de elite, que consequentemente tratariam interesse do público, patrocinadores e mídia.

 

Visão dos tenistas

Com boa relação entre os principais tenistas, Gerard Piqué fez o que se espera de um bom investidor. Tratou de analisar o mercado, diga-se, conversar com os jogadores, para saber sobre a viabilidade de sua ousada proposta. E como toda transformação gera diferentes reações, muitos gostaram e outros odiaram.

A resistência tem passado por ex-jogadores, como Fernando Meligeni, que encara o novo formato como um “insulto ao tênis”; capitães de equipes, como o francês Yevgeny Kafelnikov; e o tenista Lucas Pouille, atual número 15º do mundo, que vê a Copa do Mundo como “sentença de morte” da Davis.

Porém, há aqueles que têm aprovado a possível mudança. É o caso de Rafael Nadal, que “vê com bons olhos” e espera que a proposta “siga em frente e tenha êxito”. A única ressalva do Touro Miúra é para a não perpetuação de uma única sede, fato que tiraria a possibilidade de fãs de diferentes partes do mundo de acompanharem o evento in loco. “Para mim, o ideal é não deixar a competição em um lugar fixo, para que todo mundo possa aproveitar”. A lista de comentários positivos ainda passa pelos tops Djokovic e Murray, além do ex-jogador Andy Roddick.

 

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