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UFC 218: Aldo é nocauteado por Max Holloway pela segunda vez. E agora, José?

Foto: Divulgação/UFC

O UFC 218 não foi nada bom para o Brasil. Os três brasileiros que entraram em ação no evento ocorrido em Detroit (EUA), neste sábado, saíram do octógono mais famoso do mundo derrotados. E o revés mais expressivo, embora talvez não tão surpreendente, foi o de José Aldo. O brasileiro foi novamente nocauteado por Max Holloway no terceiro round em luta muito parecida com a primeira. E a pergunta que fica no ar é. O que será do futuro de José Aldo no MMA?

Talvez eu seja chato demais com isso – ou até exagerado, quem sabe -, mas Aldo foi durante anos metódico, supersticioso ou apenas calculista. Durante anos, podíamos notar seu ritual a caminho do octógono. O corpo solto, a cabeça sacudindo, embalado pela música, a entrada no cage cabisbaixo para não fazer contato visual com o adversário e a mesma postura até o momento em que o juiz dá o sinal para o início do combate. Ali, sim, ele levantava a cabeça e lutava, andava para frente e lutava. Antes de enfrentar Holloway no UFC 218, o brasileiro caminhou como qualquer outro lutador. Cabeça erguida, olhares perdidos… Até sua música de entrada mudou. Oras, mas tudo um dia muda, Coutinho. Verdade, não estou ignorando isso. Mas ainda assim, se tratando de José Aldo, tais “mudanças” nos fazem acreditar que o homem que hoje caminha ao octógono não é mais o Aldo que vimos chegar ao topo do mundo do MMA. Ele definitivamente não é mais o mesmo.

Aldo parece outro lutador. A técnica está ali, a força também. Mas falta a frieza, a gana, a motivação. Durante a luta com Holloway, Aldo voltou a usar uma de suas armas mais conhecidas: os chutes baixos. Todos aqueles deferidos pelo brasileiro no combate conectaram. Até Dedé Pederneiras, seu treinador principal, indicou durante a luta: essa luta está nas pernas dele. O caminho era esse. Na trocação, Holloway é forte. Aguenta porrada, se movimenta bem e ataca bem. Os chutes baixos poderiam minar a movimentação dele e distraí-lo, facilitando a entrada dos golpes de Aldo. Mas por algum motivo o brasileiro insistiu no boxe e por lá ficou até sua derrota no fim do terceiro round. Tentei não citar a palavra boxe, mas fica cada vez mais difícil se tratando de Aldo. Ele parece mesmo vidrado na nobre arte e talvez isso tenha tomado o espaço do MMA em seu coração.

A luta foi boa. Aldo conectou bons golpes em Holloway, que comprovou ter um queixo duríssimo. O brasileiro foi ligeiramente melhor no primeiro round, mas assim como no primeiro encontro, ele foi perdendo a velocidade e a potência a partir do fim do segundo assalto. Max é jovem, está voando. Não cansa fácil. Assim como no Rio, ele precisou apenas manter o ritmo e crescer para virara a luta.

José Aldo valorizou muito a nova vitória de Max Holloway. Bravo, guerreiro, um campeão. Com cortes e sangue no rosto, o brasileiro não se entregou. Mesmo em desvantagem na luta e pressionado na grade, sob uma tempestade de golpes de Holloway, esta que o atingia em cheio com um aproveitamento impressionante, Aldo resistiu de pé e ainda teve forças para soltar golpes poderosos, que quando não invadiam o vazio encaixavam no rosto do havaiano, que em seu momento de fúria os absorvia bem.

Foi estranho ver mais uma derrota de José Aldo. Foi estranho vê-lo de fitas azuis (o que conota o córner do desafiante). Foi estranho vê-lo entrando com uma música que conheceu durante o tempo que treinou boxe na Califórnia e assim não mais usou a tradicional “Run this town”de Rihanna. É estranho vê-lo caído, sem cinturão. Não sei vocês, mas eu não quero me acostumar com esse tipo de cena.

O futuro de José Aldo, só ele poderá decidir. Ele tem o direito de fazer o que quiser. Mas se eu pudesse dar um conselho ao brasileiro, diria que ele deveria largar o MMA. Se lutar boxe é realmente um sonho, que corra atrás. Porque tudo o que ele construiu em sua carreira no MMA foi a muito custo. Sua história é de superação, e tudo foi superado em busca de um sonho que se realizou. Ele pode até dizer que quer ser campeão do UFC de novo. Mas convenhamos: parece mais uma vontade do que um sonho. Há uma diferença grande entre as duas coisas.

Aldo, se o seu sonho é lutar boxe, vá lutar boxe. Você é jovem. Se um dia quiser voltar ao MMA, que o faça. Mas admita de uma vez. Hoje, você não tem mais a mesma motivação de antes para ser o Aldo no MMA. É como uma relação. O MMA (no caso o UFC) decepcionou tanto o lutador, que talvez ele sinta que a modalidade não merece mais o seu melhor. Então chega de fazer pelos outros. Volte a fazer por você!

Confira todos os resultados do UFC 218

Max Holloway venceu Jose Aldo por nocaute técnico aos 4m51s do 3º round;
Francis Ngannou venceu Alistair Overeem por nocaute a 1m42 do 1º round;
Henry Cejudo venceu Sergio Pettis por decisão unânime (30-27, 30-27, 30-27);
Eddie Alvarez venceu Justin Gaethje por nocaute técnico aos 3m59s do 3º round;
Tecia Torres venceu Michelle Waterson por decisão unânime (30-27, 29-28, 29-28);
Paul Felder venceu Charles Oliveira por nocaute aos 4m06s do 2º round;
Yancy Medeiros venceu Alex Oliveira por nocaute técnico aos 2m02s do 3º round;
David Teymur venceu Drakkar Klose por decisão unânime (30-27, 30-27, 29-28);
Felice Herrig venceu Cortney Casey por decisão dividida (28-29, 29-28, 29-28);
Amanda Cooper venceu Angela Magana por nocaute técnico aos 4m34s do 2º round;
Abdul Razak Alhassan venceu Sabah Homasi por nocaute técnico aos 4m21s do 1º round;

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