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Copa Sul-Americana

Sul-Americana: Corinthians enfrenta o Racing e a “maldição de Buenos Aires”

Foto: AP Photo/Nelson Antoine

Timão jamais venceu um mata-mata na Argentina; para piorar, coleciona ainda uma série de vexames no país

O Corinthians por muitas décadas foi motivo de piada para as torcidas rivais que o tratavam como “time sem passaporte”. Depois do 2012 glorioso com os títulos da Libertadores e do Mundial, a gozação acabou, mas a ponderação exige a verdade: ainda falta muito para o Alvinegro ser respeitado como um time realmente de peso quando atua fora do país. E uma enorme oportunidade está diante do clube às 21h45 (de Brasília) desta quarta-feira (20) com o duelo contra o Racing pelas oitavas de final da Copa Sul-Americana.

Um time virgem na Argentina

Não estamos malucos: lembramos sim que o Corinthians conquistou a espetacular e invicta Libertadores de 2012 em cima do Boca Juniors de Juan Román Riquelme. Mas lembrar daquela partida de ida na Bombonera e do 1×1 com o gol de Romarinho é recordar também da imensa ajuda do juiz que não expulsou o zagueiro Chicão, que parou uma bola com a mão em cima da linha. O Corinthians em São Paulo faturou a taça com méritos, mas quando o assunto é o desempenho na Argentina, o torcedor tem mesmo motivos para se preocupar.

 

Pode parecer engano, mas o Corinthians jamais venceu uma partida de mata-mata na Argentina – seja pela Libertadores, Sul-Americana ou Mercosul.

 

O Corinthians precisa se contentar com os empates, como obteve na Bombonera por 1×1 contra o Boca ou o 1×1 contra o River pela Sul-Americana em 2005. O empate por 1×1 nesta quarta-feira (20) contra o Racing leva a decisão por pênaltis, enquanto as igualdades acima de 2×2 dariam a vaga ao Corinthians. O 0x0 classifica o Racing.

 

O Timão tampouco pode bater no peito e dizer que é vitorioso em Buenos Aires, uma das capitais mais importantes do futebol. Mesmo nas partidas pelas fases de grupos, as vitórias são pálidas (como o 1×0 sobre o San Lorenzo na Libertadores em 2015) ou sem importância (o 3×0 no Vélez pela Mercosul de 1999).

 

Quando o assunto é para valer, como vai ser nesta quarta, o Corinthians costuma sofrer demais. A lista de decepções é gigante: o 3×1 para o Boca na Bombonera pela Libertadores de 1991, as viradas espetaculares do River nas Libertadores de 2003 e 2006, as goleadas para San Lorenzo (!) e Lanús (!!) na Mercosul de 2001 e na Sul-Americana de 2006. É uma maldição que precisa ser combatida, e a hora é agora.

 

Dificuldade na esquerda

O Corinthians terá uma dificuldade extra no “Cilindro”, casa do Racing em Avellaneda, cidade da província de Buenos Aires e que é quase um bairro dentro da capital argentina. O Timão não vai contar com o lateral-esquerdo Guilherme Arana, que não foi relacionado para esta partida. Marciel será a única opção na vaga. Maycon e Rodriguinho, desgastados, são dúvidas para o técnico Fábio Carille.

 

Quem retorna à equipe é o volante Gabriel, que não atuou neste domingo contra o Vasco por estar suspenso com três amarelos.

 

Do Racing não dá para esperar muita coisa além da raça e da inteligência demonstradas em Itaquera. A equipe não vem em boa temporada e perdeu no último domingo pelo Campeonato Argentino: foi derrotada justamente no Cilindro por 1×0 para o Banfield. O veterano atacante Lisandro López, grande nome da equipe no 1×1 de Itaquera, começou a semana treinando com moderação para chegar inteiro à partida desta quarta-feira.

Palpite

O Corinthians tem mais técnica – o Racing, como a maioria absoluta das equipes argentinas, tem uma comodidade maior nessas partidas copeiras. O Cilindro tem tudo para ver um duelo bem parelho, como já foi o de Itaquera, em que pese a superioridade corintiana no primeiro tempo.

 

Algo que pode fazer diferença é o apoio da arquibancada. A torcida do Racing é das mais calorosas da Argentina, mais até que a do temido Boca, e esta troca de energia entre os fanáticos e os jogadores pode desequilibrar o duelo em favor dos argentinos.

 

O time é limitado e vai querer superar o Corinthians nos contra-ataques e na maneira menos arriscada possível, então é de imaginar um novo empate na partida, muito provavelmente com um 1×1 que levaria a definição da vaga para os pênaltis.

 

E quem leva? Cássio é um exímio pegador de pênaltis, e nem Musso e nem Gómez, pelos lados do Racing, têm a mesma fama. Mas os cobradores argentinos têm maior eficiência, e vide tantas Libertadores conquistadas pelo Boca desta maneira. No sufoco e só na “pelota quieta”, como dizem os argentinos, faz sentido sim imaginar o Racing avançando nesta Sul-Americana.

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