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Ronda Rousey nocauteada por Amanda Nunes no primeiro round. E agora?

Foto: Christian Petersen/Getty Images

Foram 13 meses de dúvida e uma resposta curta e grossa em apenas 48 segundos. Ronda Rousey estava preparada psicologicamente para voltar ao octógono após a traumática derrota contra Holly Holm, em novembro de 2015? Não! Amanda Nunes foi a responsável por escancarar a dificuldade da americana em voltar a lutar em alto nível após sofrer com a perda do cinturão, o nocaute sofrido, as críticas do público, dos especialistas e tudo aquilo que veio à tona junto com o chute alto de Holm no fatídico UFC 193.

Na última sexta-feira, pelo UFC 207, em Las Vegas (EUA), Ronda teve a chance de redenção, mas não passou nem perto disso. Amanda, que não tem nada com as ambições e barreiras emocionais de Rousey, fez o que se esperava dela. Técnica, confiante e arrasadora, a baiana nocauteou a rival em menos de um minuto e deixou um recado claro após a luta: “Esqueçam a Ronda! A campeã sou eu”.

Escrevi diversas vezes aqui no Ganhador que Ronda não precisava voltar a lutar por motivos materiais. Recordes, dinheiro, status, legado… A única coisa que a fez retornar ao octógono foi sua alma competitiva. Assim como declarou após a luta, ela não queria apenas voltar a lutar, e sim voltar a vencer. Mas para isso acontecer muita coisa tinha que ter acontecido de forma diferente.

Pouco mais de 13 meses reclusa, longe da imprensa e sem pisar no octógono cobraram seu preço. Antes de mais nada, é bom deixar claro que não estou tentando dizer que a relação com a imprensa melhora a performance de um lutador. Acontece que isso é parte do trabalho. Se você interrompe um ciclo no esporte e na hora de voltar faz as coisas de forma diferente, certamente sentirá algo estranho. Rousey não cumpriu qualquer compromisso de mídia na semana do UFC 207. Esse trabalho, por mais saturada que a lutadora estivesse, a ajudaria a entrar no “modo de luta”. O clima que antecede um combate ajuda no foco e na preparação emocional de um lutador. É um ritual pelo qual ela já passou por diversas vezes. Se você não está a fim de encarar isso, talvez não esteja preparada para pisar no octógono. E, após uma derrota relâmpago como essa, é difícil acreditar que a americana estava pronta.

Após a segunda derrota da carreira — a segunda traumática — Ronda Rousey tem tudo para se aposentar de vez. Seu legado está feito, nada muda após o novo revés. Ela foi a responsável por colocar o MMA feminino no mapa, elevá-lo ao nível de apelo de combates masculinos, colecionou feitos históricos, recordes…

O fim de sua carreira viria em boa hora, mas é aquela história de sempre. Primeiro, a decisão de encerrar ou não a trajetória no esporte só cabe ao atleta. Segundo que um lutador sempre acha que pode ir mais longe, e por isso muitas vezes perdem a chance de parar na hora certa e acabam manchando o fim de seu legado. São muitos os casos.

Após a luta, Ronda Rousey declarou que precisa de tempo para refletir sobre o futuro. Ainda acho que ela pode fazer lutas competitivas e voltar a vencer, mas não em alto nível. E estamos falando do maior nome da história do MMA feminino. A maior estrela da modalidade merece brilhar forte, não precisa — e nem deve — se rebaixar a desafios menos difíceis apenas pela busca pela vitória. Perder é duro, vale o recado: Ronda, pode deitar a cabeça tranquila no travesseiro. O que você conquistou no esporte ninguém vai apagar.

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