Mundial de Clubes

Real controla o jogo, vence o Grêmio e conquista o Mundial de Clubes antes do clássico contra o Barcelona pelo Espanhol

FOTO: LUCAS UEBEL/GREMIO FBPA

Sem sofrer riscos e sem jogar seu melhor futebol, o poderoso Real Madrid precisou apenas de uma cobrança de falta – e da providencial ajuda da barreira do Grêmio – para faturar o título de Campeão Mundial e deixar evidente o abismo que separa os times europeus dos sul-americanos no útlimo sábado, 16.

A vitória por 1 a 0 diz muito sobre o que foi o jogo e sobre as dificuldades de se enfrentar um time que tem um único jogador (CR7, avaliado em 100 milhões de euros) valendo mais que todo o seu elenco – informações de mercado dão ao time do Grêmio o valor de 78,9 milhões de euros. Na soma dos elencos, o tricolor gaúcho fica ainda mais atrás: o Real vale, hoje, 743,80 milhões de euros – ou cerca de 10 grêmios.

O poder econômico ajuda claro – é fácil ser campeão com um time que tem CR7, Modric, Kroos, etc – mas não foi apenas isso que tornou “fácil” o caminho do Real.

 

Davi contra Golias

O Grêmio entrou em campo assumindo seu papel de Davi diante de um imenso Golias mas, diferente do que fez o herói bíblico, o tricolor gaúcho manteve-se pequeno em relação aos Merengues. O Al Jazira, por exemplo, sabendo de sua condição inferior – e tendo consciência de que chegar à semifinal era  muito mais do que o mais fanático torcedor poderia imaginar –, não teve medo de arriscar-se (pouco) no ataque e foi recompensado com um gol no final do primeiro tempo diante do mesmo Real Madrid.

O Grêmio, por sua vez, tentou amarrar o jogo. Sem poder contar com Arthur e tendo Luan completamente “morto” em campo, o Imortal abriu mão de atacar desde o início do duelo – tanto que terminou a partida com apenas 2 finalizações. Apequenou-se tentando, talvez, levar o jogo para os pênaltis – cenário que, teoricamente, deixa os times mais “iguais”. Como não criava, a bola não chegava em Barrios e, resultado disso, foi como se, na prática, jogasse com 9.

Não que se lançar loucamente ao ataque fosse uma boa estratégia. Mas com Geromel e Kannemann em uma jornada feliz, comentendo poucos erros e o Real atacando com um Benzema em péssima fase técnica, ameaçar o goleiro Navas de tempos em tempos era um dever. Mas apenas Edílson, em cobrança de falta ainda no primeiro tempo, fez o arqueiro Merengue trabalhar.

Muito pouco contra uma defesa que se alicerça em um limitado Sergio Ramos e com Casemiro amarelado ainda no primeiro tempo. “Forçar” as jogadas em cima deles com uma frequência maior teria dado ao Grêmio chances melhores no jogo. Mas não foi assim.

Apesar disso, o jogo poderia, até, ir à prorrogação, não fosse a falha de Luan e Barrios na cobrança de falta de Cristiano Ronaldo – que a bem da verdade, jogou muito menos do que podia. O português bateu no meio e em cima da barreira, exatamente no ponto onde Luan e Barrios estavam. Os dois viraram-se de lado e a bola passou, livre, entre ambos sem chances de defesa para Marcelo Grohe – outro que se destacou pelo tricolor.

E foi apenas isso. O Real seguiu jogando protocolarmente e o Grêmio continuou atacando menos do que devia. No Mundial não há “jogo de volta”. Perder por 1 gol ou por 5 é a mesma coisa. Atrás no placar, o mínimo que se faz é “cair em pé”: agredir o adversário, com organização, sim, mas pelo menos vender caro a derrota. O Grêmio “sentiu” o peso de enfrentar o Real e não fez isso. Volta para casa com o honrado vice-campeonato. Mas poderia ser melhor.

 

E agora?

Insatisfeita, é claro, com o vice-campeonato, a delegação do Grêmio chega a Porto Alegre na tarde desta segunda-feira e, com 15 dias de atraso em relação aos demais clubes do país, entra em férias. Uma parte dos jogadores do grupo de transição se apresenta já nesta segunda-feira enquanto que outra, que encerrou o Brasileirão atuando, volta no dia 4 de janeiro. Serão estes os jogadores que irão começar a disputa do Campeonato Gaúcho em 18 de janeiro.

Sobre sua renovação, Renato Gaúcho mostrou desejo de continuar no clube mas que não tratará disso agora. “Todo mundo sabe da vontade de permanecer. As pessoas que precisam conversar vão continuar conversando. Agora é procurar relaxar e curtir as férias”, disse quando questionado sobre sua continuidade no comando do tricolor após a final do Mundial. O vice de futebol, Odorico Roman, foi pela mesma linha do treinador ao dizer que “a permanência do Renato é o nosso desejo, assim como dele, mas não é o momento”.

Com mais um título na bagagem e vendo a Espanha (ou parte dela) em festa, o Real Madrid se prepara agora para o clássico contra o Barcelona pela 17ª rodada do Campeonato Espanhol – competição na qual os Merengues ainda não engrenaram. É a chance de Messi e companhia carimbarem a faixa do campeão. Ou não.