Humor

Paixão Nacional: reserva de mercado?

No mesmo dia em que o Flamengo apresentou o colombiano Reinaldo Rueda como seu novo treinador, o técnico do Botafogo, Jair Ventura, se posicionou em entrevista ao canal Fox Sports, de maneira contrária à chegada de comandantes estrangeiros ao futebol brasileiro. “Não que eu seja contra os estrangeiros trabalharem aqui, mas estamos perdendo mercado lá fora”, declarou, antes de concluir que “daqui a pouco perdemos o interno. Então do que adianta se preparar, estudar? Venho fazendo cursos sempre, me preparando. As pessoas tem que primeiro olhar para cá, para depois olhar para fora. Isso (chegada de técnicos estrangeiros) eu não vejo de uma maneira legal. Respeito a decisão, ele é um grande treinador, acho que pode dar certo. Mas estou falando em nome dos treinadores, como jovem e brasileiro. Isso é muito ruim”.

O botafoguense lembrou que para trabalhar na Europa é necessária uma licença que os técnicos brasileiros não têm – argentinos, por exemplo, têm. Daí, segundo seu ponto de vista, a necessidade de se valorizar os profissionais brasileiros.

 

Pela culatra

Depois da péssima repercussão de seu comentário, Ventura divulgou uma nota oficial onde afirma ter sido mal-interpretado em sua declaração a respeito da contratação de Rueda. Em sua nota, o técnico do Botafogo diz achar “legítimo o direito de qualquer clube brasileiro contratar um treinador estrangeiro. Há muitos profissionais competentes em outros países, com condições de repetirem aqui o sucesso que tiveram em outros lugares, como é o caso de Reinaldo Rueda, que tem um currículo admirável”, para concluir, em seguida, afirmando que questiona e fica entristecido ao “ver que treinadores brasileiros são vistos com desconfiança e encontram dificuldades para trabalhar no exterior. Além de questões legais, como não reconhecimento de nossa habilitação profissional no mercado europeu. Nossa licença não é aceita na Europa, ao contrário da dos argentinos, por exemplo. Temos que refletir, discutir e buscar maneiras de mudar essa situação”.

Jair não está de todo errado se olharmos a falta de sentido que é a licença brasileira não pder ser validada na Europa. Mas dando um outro enfoque, de forma realística – independente da tal licença – são poucos os técnicos brasileiros que seriam capazes de comandar clubes médios/grandes nos principais mercados do mundo – o que deixa de fora mercados como o árabe e o chinês, por exemplo. Tite, indiscutivelmente poderia dirigir qualquer time do mundo. Quem mais? O próprio Ventura, talvez.

Os técnicos brasileiros têm dificuldades em achar mercado fora do Brasil porque são defasados em relação aos argentinos, por exemplo. Não é uma questão de “licença”; é uma questão de qualidade.

Uma nova geração de professores – da qual Ventura e Fábio Carille fazem parte –, pode mudar este cenário. Com trabalho duro e não com choradeira contra a chegada de um técnico estrangeiro – mesmo porque, é um pouco hipócrita, reclamar dos técnicos estrangeiros quando se tem um goleiro paraguaio, um zagueiro argentino e um meia chileno no elenco.

 

Cara a cara

A declaração, no final das contas, serve também para jogar mais lenha na fogueira da partida de hoje a noite entre Botafogo e Flamengo (aqui e aqui) que pode colocar frente a frente, pela primeira vez, Jair Ventura e Reinaldo Rueda (não é certo que o colombiano esteja no banco de reservas hoje).

E que vença o melhor!

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