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Paixão Nacional: Planejamento

Planejamento.

Não há, no mundo, projeto bem-sucedido sem isso. O planejamento é a base de tudo. São as metas traçadas, os objetivos a serem alcançados – e como serem alcançados. A temporada de um clube de futebol – qualquer clube – não difere de um grande projeto. Se preparar para a disputa do Campeonato Brasileiro, no fundo, não é diferente de, por exemplo, lançar um canal no YouTube. Os dois casos exigem planejamento. Quem planeja e se prepara, colhe os melhores resultados. Os outros, ficam correndo atrás do próprio rabo perguntando “onde foi que eu errei”.

Para os cartolas brasileiros, o planejamento vai até a página 2 – ou até o primeiro campeonato do ano. Tomemos por exemplo o Corinthians de 2016: começou o ano com Tite. Não brilhava, mas, OK, estava na parte de cima da tabela do Brasileirão. A Seleção Brasileira veio e levou Tite – que levou boa parte da estrutura técnica do Corinthians com ele – e a falta de planejamento entrou em cena. Fábio Carille assume. “Carille não é técnico”, diz alguém numa reunião qualquer de diretoria onde diretores se preparam para fazer uma lambança qualquer. Sai Carille, entra Cristovão Borges. Que não dá certo.

O time fica bagunçado, jogadores são vendidos, a solidez defensiva se perde, o sistema de jogo do novo treinador não é assimilado pelo grupo e Borges cai. Volta Carille. “Mas Carille não é técnico”, diz aquele mesmo alguém que deveria ser proibido de pisar no Parque São Jorge. Vem Osvaldo de Oliverira. Novo técnico, novo estilo, nova filosofia e – óbvio – os resultados não aparecem. Não dá pra “rearrumar” o time no meio do campeonato e sem tempo para treinar.

O ano termina, Osvaldão cai. Volta Carille. E antes que aquele cretino diga algo na reunião da diretoria, alguém tapa-lhe a boca e Carille segue fazendo seu trabalho. O resultado está aí.

Jogando bem ou mal, o Corinthians tem um padrão, um estilo, uma filosofia implantada por um técnico. Se o trabalho não agrada, espera-se o final da temporada e planeja-se a nova com outro profissional. Independente do resultado de hoje até dezembro de 2017, Carille seguirá técnico do Corinthians – e esta é a decisão mais correta.

Olhando para outros times nesta temporada o que vemos?

O Plameiras começou o ano com Eduardo Baptista – que fez um planejamento para a temporada. Resultados “ruins” demitram o técnico. Cuca assumiu e, sem tempo para treinar um elenco que não foi montado por ele, colhe resultados abaixo do esperado – nesta semana foi eliminado da Copa do Brasil.

Assim como o São Paulo que trocou Rogério Ceni por Dorival Júnior – e trocou também um monte de jogadores – e segue patinando desesperadamente para fugir do Z-4 (pra sorte da cartolagem tricolor, existem, sim, pelo menos mais 4 times piores que o São Paulo no Brasileirão e isso é o que deverá salvá-los do merecido rebaixamento).

Vitória, Atlético-GO, Atlético-PR, Bahia, Coritiba, Chapecoense, Atlético-MG, Avaí, Santos, Sport… dos 20 clubes que disputam a Série A, 12 estão com técnicos diferentes dos que começaram a temporada – e alguns clubes já estão com o terceiro técnico do ano!

Os resultados? Tirando o Sport que realmente de se deu bem com a troca de Ney Franco por Vanderlei Luxemburgo, todos os demais seguem com o desempenho muito parecido do que apresentavam antes da troca. O Santos talvez tenha subido um pouco na tabela, mas é muito provável que teria subido da mesma forma e ocupasse a mesma posição que ocupa hoje caso ainda fosse comandado por Dorival Júnior, uma vez que, taticamente, a equipe mudou muito pouco com Levir Culpi.

A verdade é que ser técnico de futebol no Brasil é um emprego de curta duração. E “planejamento” é um bicho que a cartolagem tupinquim não sabe como criar e tão pouco alimentar.

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