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Paixão Nacional: Direto ao ponto

E a dança das cadeiras segue em ritmo de quadrilha junina no Campeonato Brasileiro. Depois da demissão por nota oficial de Rogério Ceni no último dia 3, ontem, 4, foi a vez de Wagner Mancini – à contra-gosto – dar por encerrado seu ciclo com a Chapecoense. O empate em 3 a 3 contra o Fluminense na noite de segunda-feira, fechando a 11ª rodada do Brasileirão, foi o ponto final da diretoria com o técnico.

Diretoria esta que, de acordo com entrevista de Mancini para o Globo Esporte, já havia decidido por sua demissão na noite de segunda-feira (após o jogo), mas, mesmo assim, preferiu comunicar o técnico somente após ele realizar os treinos da manhã de ontem junto ao elenco. Bonito, Chape, muito bonito…

E segue o barco da cultura imediatista do futebol brasileiro. No Santos, Dorival Junior foi demitido porque, aparentemente, estava há tempo demais no clube e tinha “perdido o controle” do grupo de jogadores. O mesmo grupo que, após uma rápida “resposta positiva” sob o comando de Elano e, depois, de Levir Culpi, voltou a tropeçar e segue com o desempenho semelhante ao que apresentava com o antigo técnico.

Igual ao que acontece com o Internacional, na Série B, que demitiu o técnico Antonio Carlos Zago e não viu melhoras no desempenho do time sob o comando de Guto Ferreira que viu seu ex-clube, o Bahia, perder desempenho depois da chegada de Jorginho para substituí-lo.

A bola da vez é o São Paulo, que jogou Rogério Ceni aos leões sem olhar para seus próprios erros e assumir que, além das decisões erradas do técnico (aceitáveis em um início de carreira), a culpa do fiasco tricolor no Brasileirão é também da “porta giratória” instalada nos vestiários do clube que facilita a entrada e saída de jogadores e comissões técnicas (11 treinadores desde 2012). Quase um atacadão. É fácil apontar os erros do Mito (que não foram poucos), mas, mais fácil ainda é omitir a perda de 6 titulares sem reposições à altura – um motivos da saída do auxiliar Michael Beale que também foi usado pelo técnico Juan Carlos Osório quando de sua passagem pelo clube do Morumbi.

A Chapecoense, por outro lado, esqueceu-se de tudo o que o time conquistou nas mãos de Mancini desde a tragédia do ano passado. Sua diretoria se deixou levar pela emoção e, após uma sequência de resultados ruins – mas que não podem ser usados para se julgar todo o trabalho técnico como uma porcaria – tomou o caminho fácil da demissão. Agora o time passará por um novo momento de instabilidade até que o novo técnico chegue e seus métodos de trabalho sejam assimilados (ou não). Pode-se dizer que a temporada para a Chape – e para o São Paulo – acabou nesta semana.

Dorival Júnior é o nome de consenso no São Paulo, ao passo que Argel Fucks tem a prioridade da Chape. Não importa. Nenhum dos dois terá vida fácil e sabem que se os resultados não vierem serão entregues em sacrifício para aplacar os ânimos das torcidas, que pressionam técnicos, mas se esquecem de que quem os contrata e quem deve lhes dar condições de trabalho (e por “condições” entenda-se “apoio”, “segurança” e “tranquilidade”), são as diretorias, presas a um modelo arcaico de administração onde a solução para todos os males é a demissão do “professor”.

Infelizmente o que houve com Tite no Corinthians – que venceu tudo depois de ter sido “bancado” pela diretoria após um tropeço na Libertadores  – é a excessão e não a regra.

E seguimos aqui, na Idade da Pedra do Futebol, invejando espanhóis, ingleses, italianos e qualquer outro grande mercado europeu.

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