Copa do Mundo Rússia 2018

O drama de Lionel Messi, que abre a semana mais importante da sua vida na Argentina

Foto: Robert Cianflone/Getty Images

Tenso, craque preocupa a Comissão Técnica da seleção. Sua partida na Bombonera contra o Peru pode ser a última diante dos argentinos

Lionel Messi é tido como um dos maiores jogadores de todos os tempos, mas esta condição está em xeque de hoje (28) até a próxima quinta-feira (5). A semana que está por vir será a mais importante e dramática do craque argentino vestindo a camisa azul e branca da sua seleção, e a chance de esta história terminar mal como um tango cruel merece ser levada em altíssima consideração.

Messi está com 30 anos, e em Buenos Aires todos olham para a Copa do Mundo da Rússia como a sua última com a Argentina. Lio, afinal, terá 31 anos no Mundial do ano que vem, e imaginar que ele chegue em condições de fazer bonito na Copa do Catar, em 2022, é exercício inútil de futurologia. O esporte de alto rendimento é medido em milésimos e milímetros – só mesmo os muito loucos projetam um espaço de tempo tão longo quanto os próximos quatro anos.

O craque do Barcelona está mais que exigido a fazer, em sua seleção, o que faz na Catalunha – ou seja, brilhar e ser o grande condutor dos maiores títulos que o clube já conquistou. Messi é o maior artilheiro da história da Seleção Argentina, é verdade. Mas jamais foi campeão.

Não esquecemos, claro, do ouro nas Olimpíadas de Pequim 2008, quando humilhou o Brasil de Ronaldinho com um histórico 3×0 na semifinal. Estamos falando de títulos adultos. Profissionais. E como a Argentina é uma perdedora profissional há exatos 24 anos, desde sua última conquista, a Copa América de 1993, é triste de acompanhar que um jogador tão capaz e querido como Messi não seja capaz de levar um país de tanta tradição no futebol como a Argentina ao topo do pódio.

 

Um craque apático e cabisbaixo

A reflexão que fica sobre o futebol de Messi é perceber que ele, na seleção, não encontra espaço e nem leveza para desempenhar seu futebol – um esporte coletivo, afinal, e mesmo um craque de outro planeta como Lio precisa ter sócios à altura, como Neymar, Suárez, Xavi, Iniesta e tantos outros ao longo de toda a sua carreira no Barça.

Os seus companheiros na seleção argentina padecem do mesmo mal de Messi. Nos clubes, arrebentam. Mas Agüero, Higuaín, Icardi, Di María, Dybala e tantos outros testados ao longo desta “década perdida” jamais foram capazes de ajudar Lionel quando todos põem a azul e branca.

Parece que cruzam o braço e viram espectadores do que Messi pode fazer. E ele sozinho não é capaz de ganhar nem da Venezuela, como o Monumental de Núñez viu na última rodada, quando a Argentina sofreu um dos maiores vexames da sua história ao ficar no 1×1 com a lanterninha das Eliminatórias mesmo sob a imensa responsabilidade de vencer e sair do sufoco e da incerteza de não se classificar para a próxima Copa.

 

O começo do fim?

Dói imaginar. Mas o que pode acontecer, e é até provável que aconteça, é que a Argentina empate ou perca para o Peru às 20h30 (de Brasília) da próxima quinta (5) na Bombonera. O Peru vem embalado e com três vitórias seguidas. E a Argentina vem de derrotas para a Bolívia e empates com Venezuela e Uruguai.

Um desastre.

A seleção de Jorge Sampaoli hoje é a quinta colocada na tabela da Eliminatória, e iria para a Repescagem. A combinação de resultados pode ser cruel com a equipe, que pode escorregar para fora da zona de classificação e concretizar uma próxima Copa do Mundo sem Messi. Ou melhor: que a Copa do Mundo jamais terá Messi.

O craque pode fechar sua história na seleção sem sequer ir ao Mundial.

Messi participou – e sofreu como poucos – dos últimos três vice-campeonatos da Argentina, com as derrotas na Copa do Mundo de 2014 para a Alemanha e nas duas Copas Américas seguintes para o Chile. É este o drama argentino. O ânimo dos craques está golpeado demais com tantas derrotas seguidas.

Apostar nos novatos? Em um ambiente de pressão e loucura como a Bombonera?

O próximo técnico Jorge Sampaoli é um novato no cargo e está longe de oferecer a segurança necessária a uma torcida que está a ponto de estalar de raiva.

Em cenário desses, não há talento que resista. Messi sabe disso. Suas pernas pesadas contra o Sporting, ontem (27), pela Champions League, já acenderam um sinal amarelo em toda a Argentina.

O vermelho está por vir. É a cor do Peru.

Será a cor certamente dos olhos de todos os que amam o futebol e que vão chorar de tristeza só de imaginar que a Copa do Mundo jamais terá o talento deste gênio – tímido, calado, fechado demais, é verdade, mas ainda assim incomparável como este Lionel Messi.

 

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