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Copa do Mundo Rússia 2018

Grupo D na Copa do Mundo 2018: Argentina, Islândia, Croácia e Nigéria

Argentina dependerá do talento de Lionel Messi para superar o péssimo desempenho das eliminatórias e entrar forte na disputa pela Copa do Mundo.

Foto: Getty Images

A má-campanha da Argentina durante as Eliminatórias da Copa faz deste o grupo mais imprevisível da competição.

Estivéssemos em 2014 e não haveriam dúvidas sobre o Grupo D na Copa do Mundo: Argentina e Croácia se classificariam com sobras. Mas estamos em 2018 e a Islândia, surpresa da Eurocopa de 2016, e a Nigéria (sempre indigesta) chegam com potencial para bagunçar o coreto e fazer deste o grupo mais imprevisível – e divertido – do mundial.

 

Argentina

A campanha da Argentina nas Eliminatórias Sul-Americanas pode ser definida como um “tango do portenho bêbado”. Substituto de Alejandro Sabella, Gerardo “Tata” Martino assumiu o comando da albiceleste em agosto de 2014 e colecionou resultados decepcionantes em série até que em julho de 2016, pediu pra sair dizendo que faltava clareza na designação de novas autoridades da Associação Argentina de Futebol e graves inconvenientes para formar a equipe que representaria o país nos Jogos Olímpicos. Edgardo “Patón” Bauza – que fazia um trabalho bem meia-boca no São Paulo – assume o comando da seleção em agosto de 2016 e, dando sequência aos maus resultados do antecessor, se mantém no cargo até abril de 2017.

Sem engrenar e correndo o risco real e imediato de ficar fora da Copa do Mundo, Jorge Sampaoli, técnico que já havia feito história com a Seleção do Chile é chamado para recolocar a albiceslete nos trilhos. Mas a angústia dos argentinos durou até a última rodada das Eliminatórias Sul-Americanas, quando Lionel Messi mostrou porque foi eleito o melhor do mundo por cinco vezes: foram dele os gols da vitória por 3 a 1 contra a Seleção do Equador que deram aos argentinos o terceiro lugar nas eliminatórias e uma passagem para a Rússia em 2018.

Sem a pressão das eliminatórias, Sampaoli terá agora algum (pouco) tempo para treinar a equipe antes do início da competição. Tudo indica que esta é a última Copa do Mundo de toda uma geração talentosa – Messi, Di María, Agüero, Higuaín, Biglia, Banega – que não foi coroada com títulos. Chega à Russia sem o grande favoritismo de outros tempos, mas, por se tratar de uma última chance para muitos no grupo, pode crescer e chegar à final.

 

Islândia

A Seleção da Islândia é, disparada, a mais forte candidata a surpresa da Copa do Mundo. E, se confirmar esta tendência, coroará o excelente trabalho de um time que chegou às quartas de final da Eurocopa em 2016 e se classificou em primeiro lugar no Grupo I das Eliminatórias Européias com um aproveitamento de 73,3%. Desempenho que empurrou a mais “badalada” Croácia para a repescagem.

A Copa do Mundo servirá, inclusive, como tira-teima entre as duas seleções, que se enfrentarão novamente pelo Grupo D. Durante as eliminatórias cada equipe venceu uma partida.

 

Croácia

Apesar do talento de seus jogadores que atuam em grande clubes da Europa – os meias Moldric, no Real Madrid, Rakitić, no Barcelona, e Vlašić, no Everton, o zagueiro Lovren, no Liverpool, e o atacante Mario Mandžukić, na Juventus – a Seleção da Croácia não tem conseguido extrair o melhor de seu elenco e, segunda colocada no Grupo I das eliminatórias, precisou passar pela repescagem para chegar à Copa do Mundo. A história que corre seria que uma forte briga de egos entre os talentosos atletas minou o ambiente da seleção tornando-a um grupo sem união focado em objetivos pessoais e não coletivos.

Uma pena para um time que surgiu de forma surpreendente na Copa da Mundo da França de 1998 e conquistou um – ainda mais surpreendente – terceiro lugar. Mas, de lá pra cá, foram apenas decepções e os croatas não conseguiram passar da primeira fase em suas outras três participações em copas.

O atual grupo esbanja talento individual – o suficiente até mesmo para fazer frente à “cascuda” Argentina – mas talentos individuais, apesar de desequilibrarem, não ganham Copa do Mundo (como bem sabe Lionel Messi).

 

Nigéria

A Nigéria chega para a sua sexta Copa do Mundo com sua melhor seleção em todos os tempos. Contando com os talentos do meia Victor Moses, do Chelsea, e dos atacante Alex Iwobi, do Arsenal, e Kelechi Iheanacho e Ahmed Musa, do Leicester carimbou seu passaporte para a Rússia ao conquistar o primeiro lugar no Grupo B das Eliminatórias Africanas, deixando para trás as seleções de Zâmbia, Camarões e Argélia.

Pela quinta vez em suas participações em uma copa, terá pela frente a Seleção da Argentina – e o retrospecto não ajuda: foram cinco triunfos dos hermanos. Para complicar mais um pouco, a exemplo da Croácia, seu grupo também chega desunido na Rússia por conta de problemas com premiações não pagas pela federação local. Com certeza, isso influenciará o desempenho nigeriano na competição.

 

Quem avança

Como já dissemos no começo deste texto, é um grupo muito imprevisível. Mas camisa pesa – mesmo em uma Copa do Mundo – e a da Argentina, bi-campeã mundial, é bem pesada. O time deve ir se encontrando ao longo dos jogos e, nesta primeira fase, é bem provável que Messi “carregue o time nas costas” e garanta a classificação – não necessariamente o primeiro lugar. Daí pra frente, o caldo engrossa e se a albiceleste jogar como jogou nas eliminatórias, volta pra casa mais cedo.

A Nigéria pode surpreender na briga pela segunda vaga, mas a disputa deve ficar polarizada entre Islândia e Croácia. O duelo entre as duas equipes deve ser decisivo para a classificação e por mais que o bom-senso me diga para acreditar no talento croata, algo me diz que a Islândia seguirá adiante na competição.

 

Continuando

Segunda-feira daremos continuidade a nossa série de artigos sobre a Copa do Mundo, analisando o Grupo E formado por Brasil, Suíça, Costa Rica e Sérvia.

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