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Força Chape

Calendário já coloca a Chapecoense no limite! Como o time vai dar conta até o fim do ano?

Foto: AP Photo/Andre Penner

Na temporada em que precisou reconstruir o elenco praticamente do zero após o desastre aéreo na Colômbia, clube catarinense já disputou três jogos em quatro dias neste mês.

No Brasil, já estamos acostumados com a distância entre o discurso e a realidade. Após a tragédia que tirou a vida de jogadores, membros da comissão técnica e de dirigentes da Chapecoense, que viajavam para o primeiro jogo da decisão da Copa Sul-Americana, em novembro do ano passado, o mundo se uniu em torno da dor das famílias e torcedores. As promessas de ajuda vieram de todos os cantos, principalmente no que dizia respeito à reconstrução do elenco. Clubes brasileiros e do exterior acenaram com a possibilidade do empréstimo de jogadores e até cogitou-se uma espécie de blindagem contra o rebaixamento na Série A, ideia prontamente rejeitada pela Chape, em uma prova de honra e confiança.

E como o show não pode parar, eis que chega 2017 com um calendário de jogos dos mais rigorosos. Só neste ano, o clube catarinense irá disputar oito competições:

  • Campeonato Catarinense
  • Copa da Primeira Liga
  • Copa Libertadores da América
  • Copa do Brasil
  • Séria A do Campeonato Brasileiro
  • Copa Sul-Americana
  • Recopa Sul-Americana
  • Copa Suruga (Japão)

Ah! Lembra que falamos sobre a contratação de atletas? Sim, a Chapecoense conseguiu trazer muitos jogadores de alguns times grandes. Mas, desde o início, a direção do clube afirmou que não iria se contentar com as “sobras” dos outros. Só que, infelizmente, foi mais ou menos o que aconteceu. Ao todo, são 24 caras novas no elenco, mais do que dois times. Entre os mais conhecidos (mas nem assim tão empolgantes), chegaram Wellington Paulista (Fluminense), Apodi (Klub Kuban), Amaral (Coritiba) e Douglas Groli (Cruzeiro). Confira a lista completa:

  • Elias (empréstimo) – goleiro/Juventude
  • Artur Moraes (passe livre) – goleiro/Osmanlispor (TUR)
  • Douglas Grolli (empréstimo) – zagueiro/Cruzeiro
  • Fabrício Bruno (empréstimo) – zagueiro/Cruzeiro
  • Luis Otávio (empréstimo) – zagueiro/Luverdense
  • Nathan (empréstimo) – zagueiro/Palmeiras
  • Emilio Zeballos (empréstimo) – lateral-direito/Defensor (URU)
  • Apodi (empréstimo) – lateral-direito/Klub Kuban (RUS)
  • João Pedro (empréstimo) – lateral-direito/Palmeiras
  • Reinaldo (empréstimo) – lateral-esquerdo/São Paulo
  • Diego Renan (passe livre) – lateral-esquerdo/Vitória
  • Moisés Gaúcho (empréstimo) – volante/Grêmio
  • Andrei Girotto (empréstimo) – volante/Kyoto Sanga (JAP)
  • Amaral (empréstimo) – volante/Coritiba
  • Luiz Antônio (empréstimo) – volante/Flamengo [61]
  • Lucas Marques (passe livre) – meio-campo/Internacional
  • Dodô (empréstimo) – meio-campo/Atlético Mineiro
  • Nádson (passe livre) – meio-campo/Paraná
  • Wesley Natã (retorno do empréstimo) – atacante/Bahia
  • Rossi (passe livre) – atacante/Goiás
  • Osman (empréstimo) – atacante/Luverdense
  • Niltinho (empréstimo) – atacante/Criciúma
  • Túlio de Melo (empréstimo) – atacante/Sport
  • Wellington Paulista (empréstimo) – atacante/Fluminense

Além dos reforços, novo atletas da base foram promovidos ao profissional.

 

APERTO DO CALENDÁRIO

E o escolhido para comandar a reconstrução do time foi Vágner Mancini, técnico que ficou conhecido por levar o Paulista de Jundiaí ao título da Copa do Brasil de 2005 contra o Fluminense. No entanto, Mancini colecionou resultados inexpressivos e rebaixamentos nos últimos tempos, quando perambulou por uma série de clubes pelo país afora. E as primeiras missões foram as estreias no Campeonato Catarinense e na Copa da Primeira Liga. Logo de cara, as datas começaram a encurralar o grupo.

No início de fevereiro, o time fez três jogos em quatro dias, a ponto de o sub-23 ter que representar a Chape em partida contra o Cruzeiro pela Primeira Liga. E não teve jeito: derrota para a Raposa por 2 a 0. No Estadual, foram dois resultados negativos e um empate nos três últimos compromissos — uma sequência ruim que fez acender o sinal de alerta na Arena Condá.

Afinal, estamos falando do início da temporada. No dia 07 de março, a Chape irá começar a campanha na competição mais importante do ano: a Copa Libertadores da América, da qual participa pela primeira vez em sua história. A estreia será fora de casa, contra o Zulia da Venezuela. Os outros integrantes do Grupo 7 são o Nacional (URU) e o Lanús (ARG). Não é das chaves mais difíceis, mas as últimas atuações dos catarinenses sugerem uma grande chance de eliminação já na fase de grupos.

Em paralelo à Libertadores, a Chapecoense terá o Brasileirão, que será a disputa mais estratégica. Afinal de contas, é o único campeonato que pode trazer grandes prejuízos com uma campanha muito ruim. Hoje, a permanência na elite do futebol brasileiro soa como um título. Para um elenco que foi montado como uma espécie de colcha de retalhos, com a responsabilidade de suceder um grupo que já vinha entrosado há bastante tempo, é difícil esperar resultados expressivos.

E não para por aí. A partir das oitavas de final, a Chape entra na Copa do Brasil. Também no segundo semestre, o clube passa a defender o título da Copa Sul-Americana, sem falar na Recopa, disputada em dois confrontos – o adversário será o Atlético Nacional (COL).

A realidade é que a Chapecoense terá que fazer renúncias para defender sua vaga na Série A do Brasileirão. Ainda não há um plantel qualificado a ponto de formar duas equipes competitivas para jogar mais de um campeonato. Agora, o retorno de dois ídolos que sobreviveram à queda do avião da Lamia — Alan Ruschel e Neto —, pode motivar os novos guerreiros da Arena Condá a buscarem a superação em 2017.

É o que todos nós queremos.

Força, Chape!

 

 

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