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Cadê o Brasileirão que tava aqui?

Com o principal campeonato nacional parado por 10 dias, o jornalista esportivo precisa tirar coelhos da cartola para manter o leitor informado

Normalmente as Eliminatórias para a Copa do Mundo são o grande assunto no futebol. Todo mundo quer ver a seleção nacional jogando; os melhores atletas em campo, só futebol de alto nível. Normalmente é assim e a “data FIFA” – sabiamente – congela os campeonatos regionais para que os clubes que, efetivamente, pagam os salários dos jogadores, não sejam prejudicados em seus objetivos nas temporadas. Normalmente é assim.

Mas para quem cobre o futebol brasileiro, esta última pausa antes da Copa do Mundo de 2018 foi uma desgraça; um pesadelo! Não acredita? Então vamos aos fatos:

 

Brasil classificado, que se dane o resto

Brasileiro não gosta de futebol. Brasileiro gosta de vencer. Nem adianta torcer o nariz indignado… a verdade dói. Com a Seleção Brasileira classificada para a Copa do Mundo e com o primeiro lugar nas Eliminatórias Sul-Americanas garantido, geral tá pouco se lixando com o resultado dos últimos jogos do escrete canarinho. Se ganha ou se perde, não importa.O jogo valia apenas para saber se alguém ia vomitar no gramado em La Paz e se Galvão Bueno teria fôlego pra falar sem parar durante 90 minutos. Ninguém vomitou e Galvão ficou no Brasil, narrando pela TV – nos negaram até mesmo a possibilidade de vê-lo puxando ar na capital boliviana. O duelo contra o Chile, na próxima terça, promete alguma emoção, afinal de contas o resultado do jogo pode definir se a Argentina vai ou não para a Copa. E torcer contra nossos hermanos churrasqueiros é o maior prazer que nos restou neste momento – a menos que Miguel Gonzalez diga que Argentina não vai para a Copa. Aí só me restará “ser argentino desde criancinha” (para entender melhor, clique aqui e aqui)

Os jornais e sites precisam de conteúdo. Os jornalistas acompanham os jogos em busca de notícias. Mas, tirando o caminhão de gols que a Argentina perdeu contra o Peru e a falta de Guerrero defendida por Romero no último lance do jogo, a melhor coisa da rodada foi a virada do Paraguai pra cima da Colômbia. No mais, a boa e velha “redação criativa” entrou em campo.

Não acredita?

Só para exemplificar, no Brasil, a estreia de Matheus Jesus como titular do Santos, no último sábado, dia 30, ainda era notícia na quinta-feira, dia 5, em alguns jornais televisivos. A pauta estava boa…

 

O que fazer?

Sem jogos de “peso” para cobrir, o jornalista esportivo precisa ser criativo para se manter ocupado.

Eu, por exemplo, lembro que precisei cobrir a abertura da NFL na última vez em que tivemos uma semana “marromeno” no futebol brasileiro – e meu editor se arrepende disso até hoje.

Em um sábado sem grandes destaques no futebol brazuca – me recuso a falar de Matheus Jesus de novo! –, restou-me apenas ocupar meu tempo com bordados e tricô. E para quem acha que minha aventura pela NFL foi uma desgraça, espere só pra ver as fotos das blusinhas que fiz em tricô ontem à tarde.

Felizmente, não sou o único a passar por este problema. Uma rápida olhada no noticiário esportivo de hoje mostra bem a situação desesperadora de meus colegas de profissão. Ainda bem que Lewis Hammilton fez a pole – e bateu o recorde da pista em Suzuka – e Carlos Arthur Nuzmann foi pego pela Polícia Federal na Operação Jogo Sujo que investiga compra de votos e desvio de recursos na Rio-2016 (jura?). Não fosse isso, o Campeonato Brasileiro de Bocha estaria na primeira página dos jornais – e nem é tão exagero assim, afinal o “futmesa” é destaque no treino da Seleção Brasileira (sério).

 

Falta pouco

Mas, como gritariam aquelas crianças desafinadas no YouTube, pra nossa alegria, a data FIFA acaba nesta terça-feira – e promete alguns jogos bem interessantes, principalmente o da Argentina contra o Equador em Quito. E no dia 11 já tem Campeonato Brasileiro (oba!). Com o Corinthians tentando reencontrar o caminho das vitórias e o São Paulo fazendo tudo e mais um pouco para se livrar da briga por um visto de trabalho na Série B – que, aliás, está bem disputado este ano, com Chapecoense, Bahia (que anunciou Paulo César Carpegiani como novo técnico), Ponte Preta e Fluminense (além do próprio São Paulo), disputando uma das quatro vagas no rebaixamento com Sport, Avaí, Coritiba e Atlético-GO.

E no final das contas, não pode ser considerada “ruim” uma semana que teve Nuzmann preso, Carpegiani empregado, Argentina dando vexame, goleiro boliviano fazendo milagre, Hamilton batendo recorde, comentarista argentino sendo acusado de racismo (de novo!) e futmesa no treino da Seleção.

Jornalista esportivo é um bicho chato mesmo. Agora, se me dão licença, vou ali, tricotar meias e fazer um artigo sobre o aniversário de 7 dias do primeiro jogo de Matheus Jesus como titular do Santos enquanto espero a quarta-feira chegar.

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