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Anderson Silva volta a vencer no UFC e entra em nova fase

Foto: Anthony Geathers/Getty Images

Quando Anderson Silva entra no octógono, o MMA dobra de tamanho no Brasil. Só o Spider consegue atrair as atenções de tanta gente. E não é à toa. Não há personagem mais intrigante. Hoje ele pode não ser mais tão brilhante como foi no passado, mas ainda é interessante, vende, gera curiosidade e rende lucros. Pra ele, para o UFC e para os fãs. No UFC 208, realizado no Brooklyn, em Nova York (EUA), no último sábado, o ex-campeão quebrou um jejum de quatro anos sem vencer. Em luta morna, ele bateu Derek Brunson na decisão dos juízes em combate apertado. Mais do que a vitória no cartel, Spider conseguiu cumprir com sucesso uma missão que cumpre para si, masque pode agradar a todos.

Durante a semana pré-luta, o brasileiro repetiu por diversas vezes que segue no MMA após tantas conquistas por amor ao esporte. De fato, ele não precisa mais de dinheiro, já quebrou muitos recordes e não precisa provar mais nada a ninguém. Seu nome é unanimidade na lista dos maiores lutadores de todos os tempos — quando não é colocado justamente no topo da lista. Anderson entra no octógono porque gosta de lutar, gosta de apresentar suas técnicas marciais diante do mundo. Vitória ou derrota se tornou um detalhe a ele. O importante é poder fazer o que ama.

Depois da luta contra Brunson, vi gente comparando o momento da carreira de Anderson Silva com a situação de Ronaldinho Gaúcho no futebol. E eu acho que é uma boa forma de tentar entender o cenário que Spider enxergar. É claro que ele sabe seu valor e recebe bolsas recheadas para se apresentar, mas ainda assim sua maior motivação não é simplesmente dinheiro. Ele pode ficar mais rico cada vez que luta, mas se não lutar bem, pode manchar e aos poucos destruir tudo o que construiu ao longo dos anos. Então a ideia é se divertir. Suas performances não são mais tão brilhantes, tem lampejos de genialidade, mas não são o suficiente para fazer frente aos atletas de alto nível da atualidade. Ficou claro que para ter a chance de lutar em alto nível ele precisa de mais comprometimento com treinos, novos métodos e ações modernas. Enquanto ele não mudar deficiências básicas em sua preparação, vai sempre se contentar apenas em fazer o que gosta, independente de vencer ou perder.

Foi bom ver Anderson Silva tendo o braço erguido no octógono novamente. O duelo com Brunson foi morno, sem grandes emoções, e a vitória poderia ter ido para qualquer um dos dois lados. Mas o brasileiro vencedor passou longe de ser um absurdo. Teve mais controle do centro do octógono, acertou golpes contundentes, apesar do menor volume…

Aos 41, Spider não tem a mesma velocidade, não tem a mesma força, a mesma resistência, mas tem muita, muita vontade de lutar. E pra ele isso basta. Suas lutas agradam a todos. Ele fica feliz em poder fazer o que ama, o UFC lucra com as apresentações de um de seus maiores astros e os fãs ganham novas oportunidades de ver em ação o maior artista marcial de todos os tempos. Ele pode ser campeão de novo? Claro que pode. Anderson ainda é luta dura para boa parte da categoria dos médios. Está no nível dos tops da categoria como Yoel Romero, Ronaldo Jacaré, Gegard Mousasi e outros? Não. Mas se fizer as lutas certas, sua longevidade no esporte ainda pode trazer muita diversão. A ele e ao público.

 

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